EDUARDO GRABOSKI

Luciana Gimenez não pode ficar fora da TV. E o SBT precisa correr

Luciana Gimenez não está mais na RedeTV!, mas programa Super Pop continuará no ar
Luciana Gimenez não está mais na RedeTV!, mas programa Super Pop continuará no ar - Foto: Divulgação
Eduardo Graboski

por Eduardo Graboski

Publicado em 26/01/2026, às 09h31

Existe um erro clássico que a televisão brasileira comete de tempos em tempos: achar que dá para deixar certas figuras “descansando”. Como se carisma tivesse prazo de validade em prateleira. Como se presença fosse algo que se guarda para depois.

Luciana Gimenez encerrou recentemente seu contrato com a RedeTV! e, desde então, o silêncio da TV aberta sobre o próximo passo dela é quase ofensivo. Não porque a saída tenha sido um choque, ciclos acabam, mas porque Luciana não é um nome que pode ficar em modo avião. Ela é televisão!

Luciana tem tempo de câmera, tem timing, tem opinião, tem humor ácido, tem glamour, tem caos controlado e tem fama. E, principalmente, tem algo cada vez mais raro: identidade. Você liga a TV e sabe exatamente quem ela é, o que ela entrega e o tipo de reação que provoca. Isso não se fabrica em laboratório.




Por isso, vou ser direto: o SBT tem que se mexer. E rápido. Mais do que Band ou Record, que também poderiam, sim, entrar nessa disputa, Luciana Gimenez tem o DNA do SBT. Aquela mistura de elegância torta, espontaneidade, excesso assumido e liberdade criativa que sempre fez parte da emissora. Ela não combina com TV engessada. Combina com TV viva.

E o melhor: ela é testável. Em vários formatos. Um talk show semanal, por exemplo, cairia como uma luva. Entrevistas sem filtro, com humor, provocações e espaço para o improviso, algo que o público sente falta desde que a TV resolveu ficar educada demais.

Mas também dá para pensar em algo diário, vespertino, mais leve, com atualidades, comportamento, entrevistas rápidas e comentários afiados. Um programa que converse com quem está em casa, com quem está no celular, com quem comenta no Instagram e com quem ainda gosta de TV como companhia.

Luciana funciona quando pode ser Luciana. Quando pode errar, rir, provocar, interromper, ironizar e, de vez em quando, emocionar.  O SBT, que tantas vezes acerta quando ousa, poderia encontrar nela não só um programa, mas um novo rosto.

Ela fora da TV aberta é desperdício. É deixar um motor ligado sem colocar o carro na pista. A televisão brasileira precisa dela em movimento. E ela precisa de um palco que não tente transformá-la em politicamente correta. Agora é jogo rápido. Quem piscar, perde.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CENAPOP.