EDUARDO GRABOSKI

O que esperar da TV em 2026? Realities mais afiados, conflitos e “testes”

Realities vão dominar a TV aberta em 2026; emissoras apostam todas as fichas
Realities vão dominar a TV aberta em 2026; emissoras apostam todas as fichas - Foto: Reprodução
Eduardo Graboski

por Eduardo Graboski

Publicado em 05/01/2026, às 14h22

Se 2025 foi o ano da tentativa de reorganização da TV aberta, 2026 promete ser o ano da validação. A televisão brasileira entra com uma certeza: os realities não são mais parte da grade, eles são a própria grade ao lado das novelas [um sucesso atemporal] e dos programas de variedades já consolidados.

Em um cenário de público dividido entre TV aberta, streaming e internet, Netflix saturada e redes sociais ditando o ritmo de tudo, a TV aposta no que ainda consegue fazer melhor do que qualquer algoritmo: gerar personagens nacionais e assunto em tempo real.

O BBB segue como o grande termômetro do país. O reality continua sendo o principal produto da Globo, não só em audiência, mas em impacto e valor comercial. Para 2026, a aposta não é exatamente reinventar o formato, mas ajustar as engrenagens: mais dinâmicas, mais interferência do público e uma relação cada vez mais direta com o que acontece fora da casa.



O BBB já entendeu que o confinamento é quase simbólico. O jogo real acontece nas redes, nos cortes, nas torcidas, nos mutirões e na leitura diária do público. Quem entra não joga apenas para ganhar o prêmio, mas para construir relevância depois do programa, algo que a produção passou a considerar oficialmente.

Por outro lado, a Record amplia sua ofensiva com A Casa do Patrão. Na disputa direta pelos fãs de reality, a emissora aposta em convivência, hierarquia e conflito. A proposta encabeçada por Boninho conversa com um público que já se acostumou a realities mais duros, mais intensos e menos preocupados em parecer “politicamente corretos”.

O formato reforça uma tendência: realities com regras simples, mas consequências emocionais grandes. Em 2026, a TV aposta menos na complexidade do jogo e mais no choque entre personalidades. Justamente por isso, reality vira linguagem, não só formato.

O BBB segue como o grande termômetro do país, o reality finalmente volta repaginado - Foto: Reprodução
O BBB segue como o grande termômetro do país, o reality finalmente volta repaginado - Foto: Reprodução

Além disso, A Fazenda deve trazer uma temporada ainda mais afiada depois do sucesso absoluto em 2025. Mais personalidade, menos fama. Mais conflitos, menos ‘sabonetada’. Mais dinâmicas, menos tempo livre para os peões. Tudo reajustado, com participantes ainda mais intensos, misteriosos e controversos. 

Outra tendência clara para 2026 é que o reality deixa de ser um gênero isolado e passa a influenciar toda a programação. Atrações de variedades, quadros de auditório e até programas familiares começam a operar com lógica parecida: histórias reais, emoção exposta e identificação imediata.

Nesse contexto, a chegada de Eliana à nova fase na Globo representa um outro braço desse movimento. É uma TV mais afetiva, mais próxima, mas ainda baseada em narrativas reais, conflitos cotidianos e histórias de vida, quase um reality emocional, mesmo sem votação. Isso cria conexão e audiência.

Portanto, o que esperar da TV em 2026? O ano que começa deixa claro alguns caminhos: mais realities, menos formatos engessados e mais programas “em teste” como o ‘Viva a Noite’, do SBT, além de audiência medida não só em pontos, mas em repercussão, e personagens acima dos formatos.

A TV entendeu que não compete mais com o streaming em catálogo, mas pode vencer no buzz, no tempo real e nos trechos de programas que viralizam. No fim das contas, 2026 será o ano em que a televisão assume, sem vergonha, que vive de exposição, conflito, emoção e julgamento público. E tudo bem.

Enquanto houver alguém disposto a se mostrar, e outro disposto a mostrar e comentar tudo, o reality seguirá sendo o motor da TV. O resto é cenário.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CENAPOP.