
por Eduardo Graboski
Publicado em 04/12/2025, às 17h44
Todos os realities têm uma fase especial, quase um fenômeno biológico: o momento em que muitos simplesmente deixam de enxergar o jogo. É quando a convivência, o cansaço e a carência se juntam e nasce aquilo que só ‘A Fazenda’ consegue entregar com excelência: a fase da cegueira coletiva.
Lá dentro, todo mundo acha que está brilhando. Aqui fora, a gente assiste perturbado, tentando entender em que universo paralelo algumas pessoas acreditam estar. É um clássico, só que nesta edição o surto ótico veio com mais força.
Mesquita é quase um estudo de caso. Está no reality, mas ainda não estreou. Já Duda, sua “namorada”, parece ter confundido ‘A Fazenda’ com reality de pegação. Não movimenta, não se entrega de alma, só investe nas “relações”.
Toninho Tornado é outro. No reality aconteceu um fenômeno: ele deixou o humor do lado de fora. Se tornou arrogante, prepotente, confiante num favoritismo que só existe na cabeça dele.
Já Fabiano pode bater recorde mundial de tempo dormindo diante de câmeras. Ele até se movimenta às vezes, mas na mesma intensidade que um ventilador no modo “brisa leve”. Quem também não entendeu a dinâmica é Walério Araújo, não se jogou no risco, não se expôs. Está no modo ‘ventilar’.
Tàmires vive no auge do grito. Discussão ela tem. Argumento? Aí já é pedir demais. Ela até tenta movimentar o jogo agora na reta final, talvez por desespero mesmo, mas se tornou repetitiva, irritante e vazia. A grande chata da edição, e olha que a concorrência é boa.
Kathy Maravilha não é necessariamente uma peoa ruim. O problema é que ela se resume à amiga da Carol Lecker. E Carol é uma das protagonistas e a única lúcida, que ainda enxerga o que acontece. Kathy precisa urgentemente de um jogo próprio. Quem vive na sombra não chega na final.
O maior erro da casa nesse momento é ignorar o óbvio e deixar de recalcular a rota. Afinal, nunca é tarde. A maior ironia dessa edição: quanto mais os peões erram a leitura do jogo, mais fortalecem Dudu Camargo e Saory Cardoso.
Enquanto alguns dormem, gritam e forçam alianças e embates, Dudu e Saory entregam o que o público quer: entretenimento. É caos, é diversão, é movimento. E quanto mais o elenco insiste em não enxergar o óbvio, mais forte fica o favoritismo dos dois. A cegueira no reality, por incrível que pareça, é justamente o que define o campeão.
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