
por Eduardo Graboski
Publicado em 19/11/2025, às 16h19
O SBT tomou uma decisão rara e acertadíssima ao trazer o Viva Noite, um dos programas mais icônicos da televisão brasileira.
Em um momento em que a TV aberta busca reencontrar relevância e identidade, a emissora conseguiu entregar justamente aquilo que sempre defendi: atualizar o clássico sem apagar sua essência. E é exatamente isso que faz o novo Viva Noite funcionar.
O grande responsável por dar o tom dessa novidade é Luís Ricardo. Ele já havia apresentado o programa nos anos 90 ao lado de Gugu e, agora, retorna como se nunca tivesse saído do ar. Dinâmico, completo, cheio de ritmo e com domínio absoluto do palco, ele é a alma da atração. Ele consegue unir aquela energia vintage, tão característica do SBT da época de ouro, com uma leitura moderna, atualizada, que conecta com 2025 sem abrir mão do DNA original.

Luís Ricardo não apresenta: ele conduz, embala, anima, guia o telespectador. É exatamente o que o programa precisava para brilhar novamente. E mais, respeita o espaço dos convidados, é engraçado sem forçar, é espontâneo e gente da gente.
O que também chamou atenção foi o cenário. Um visual moderno, grandioso, vibrante, que honra a estética dos anos 90, mas com acabamento e tecnologia atuais. O cenário não só ambienta, ele eleva o programa, cria identidade e se torna um diferencial desta nova fase do Viva Noite.
Outro ponto é a presença de João Augusto Liberato, filho do Gugu. Ainda tímido, encontrando seu espaço, mas carregando um simbolismo emocional muito forte. Sua participação é um aceno respeitoso à história da televisão e à memória de um dos maiores apresentadores do país. É bonito ver, e é importante que aconteça de forma orgânica, sem pressão, esse pequeno ritual de passagem.
É impossível não destacar o balé do programa, que roubou a cena. As bailarinas, muito bem coreografadas e impecavelmente produzidas, deram ao palco um movimento que fazia falta na TV aberta. A presença delas cria dinâmica, energia e um ritmo que sustenta a essência do Viva Noite: um show de variedade que vibra, pulsa e se movimenta o tempo todo.
No palco, nomes que marcaram época deram o tempero perfeito: Gretchen, Silvinho Blau Blau, Rita Cadillac, Netinho de Paula. Presenças que devolvem ao programa exatamente aquela sensação de “eu já vi isso e quero ver de novo”, mas com uma edição mais ágil, uma estética repaginada e um ritmo mais compatível com o consumo atual.
O público mais jovem pode não ter vivido tudo isso nos anos 80 e 90, mas rapidamente entende o impacto. E o público que viveu sente o abraço nostálgico, sem cheiro de mofo. É aí que mora o mérito do SBT. Resgatar o clássico para se reconectar com seu público fiel.
Sempre digo que televisão é como moda: tudo volta, tudo vai e vem, formatos desaparecem e renascem, tendências ficam em alta e em baixa. Nada fica ultrapassado, fica apenas à espera de atualização. E foi isso que o SBT fez com o Viva Noite: pegou um sucesso absoluto, um hit, uma memória afetiva nacional, e remodelou para os dias de hoje. E o melhor: sem tentar inventar o que não precisa ser inventado.

A televisão aberta precisa, urgentemente, de produtos que façam o público rir, se entreter, se distrair, se esquecer do relógio. E o Viva Noite cumpre esse papel. É gostoso de assistir, é carismático, é leve, tem ritmo e tem alma. Faltava esse tipo de programa nas noites de sexta.
O SBT tem agora a missão de consolidar essa atração na grade, apostar a longo prazo, fortalecer quadros, manter a identidade e permitir essa releitura. O caminho está aberto, e o retorno deixou claro: existe demanda, existe nostalgia, existe desejo por esse tipo de entretenimento.
Vida longa ao Viva Noite. E vida longa aos clássicos que, quando respeitados, atualizados e bem conduzidos, mostram que nunca perderam o brilho, só estavam esperando a hora certa de voltar.
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Faustino Júnior | Nerd de Negócio
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