EDUARDO GRABOSKI

BBB precisa voltar a ser fábrica de subcelebridades – ainda dá tempo de salvar o reality

BBB tinha muito mais graça só com anônimos no elenco
BBB tinha muito mais graça só com anônimos no elenco - Foto: Divulgação
Eduardo Graboski

por Eduardo Graboski

Publicado em 29/09/2025, às 15h46

O Big Brother Brasil está diante de uma encruzilhada: ou volta a ser a maior fábrica de subcelebridades do país, ou vai flopar de vez. E tudo por causa de uma ideia que parecia genial, mas que na prática foi um tiro no pé: colocar famosos no elenco.

Quando o programa nasceu, a mágica era simples: pegar anônimos, colocar dentro de uma casa e assistir à transformação deles em fenômenos. Eles entraram sem filtro, sem medo de cancelamento, e justamente por isso renderam. O BBB era imprevisível, engraçado e caótico — exatamente como deve ser.

E não dá para dizer que o BBB não cumpriu sua função no passado. Foi a maior fábrica de subcelebridades que o Brasil já viu. A gente ganhou Grazi Massafera, que saiu do reality direto para o Emmy Internacional: Sabrina Sato, que trocou a casa mais vigiada pelo posto de rainha da TV e da publicidade; e até o Jean Wyllys, que virou deputado federal. 



Sem falar em Kléber Bambam, ícone de uma geração; Juliana Alves, que hoje é atriz consolidada; e Íris Stefanelli, que surfou anos de RedeTV! só com a credencial de ex-BBB. Mais recentemente, tivemos a Juliette, campeã que explodiu nas redes e virou cantora, e a Ana Clara, que de pipoca virou funcionária global.

Ou seja: quando o reality se propõe a revelar gente nova, funciona. A prova está aí — até hoje vivemos do estoque de personagens que essa fábrica produziu. 

Aí veio o “camarote”. Influenciadores, cantores, ex-atores de novela, sub famosos de Instagram. Gente que já tinha carreira, seguidores e contratos. E junto com eles, um novo jogo: o de não se queimar. O problema é que quem já tem muito a perder não se arrisca. O resultado é um reality cheio de gente posando para publipost, com frases prontas e discursos de coach. Um show que deveria ser de espontaneidade virou laboratório de marketing pessoal.

E vamos combinar: o público não liga para famoso tentando ser simpático. O público quer personagem novo. Quer acompanhar em tempo real a metamorfose do anônimo que nunca deu uma entrevista e, de repente, vira trending topic. Quer ver briga de verdade, romance improvável, meme engraçado. Quer caos de gente que não sabe administrar fama porque nunca teve fama. É isso que faz do BBB um fenômeno: transformar desconhecidos em subcelebridades, aquelas que alimentam podcasts, colunas, programas de auditório e até outros realities.

A Globo ainda tem tempo de corrigir o erro. O público não pede muito: pede emoção. Pede verdade. Pede personagens novos. O “camarote” matou a espontaneidade do programa, sufocou a criatividade e tirou o espaço de quem realmente faz o BBB valer: os anônimos.

O reality precisa voltar a ser uma linha de produção de subcelebridades, de rostos novos, de histórias inesperadas. Esse sempre foi o DNA do programa. O resto é perfumaria. Então, fica o recado: se a Globo quiser salvar o BBB de vez, a solução é simples. Tchau, camarote. Bem-vindo de volta, pipoca raiz.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CENAPOP.