EDUARDO GRABOSKI

BBB26: O Brasil ainda vai se arrepender de ter eliminado Aline Campos tão cedo

Aline Campos é a primeira eliminada da edição 26 do Big Brother Brasil
Aline Campos é a primeira eliminada da edição 26 do Big Brother Brasil - Foto: Divulgação
Eduardo Graboski

por Eduardo Graboski

Publicado em 21/01/2026, às 15h14

O Brasil tem um talento raro: eliminar cedo quem daria trabalho demais. Aline Campos foi isso. Trabalho. Incômodo. Excesso. Intensidade. E, claro, erro estratégico do público. Não foi que ela não tinha jogo. Pelo contrário. Ela tinha jogo demais para a primeira semana.

Aline falou, ocupou espaço, se posicionou, atravessou conversas, provocou reações, viajou... Não passou despercebida. E isso, no Big Brother, é sempre uma faca de dois gumes. O público diz que quer personalidade, mas costuma preferir que ela venha em doses fracas. Aline chegou em dose cavalar.

Incomodou. Incomodou muito. Incomodou rápido. E o Brasil respondeu como costuma responder quando alguém sai do script: votando para sair. O problema não foi o que Aline fazia, mas a intensidade. Ela incomodou demais o público logo de cara, sem aquele período de aquecimento que o espectador brasileiro exige para comprar uma personagem. Não esperou o aval da internet, não foi construída aos poucos, não pediu para ser entendida. Foi sendo.



E isso, ironicamente, é exatamente o tipo de participante que faz falta quando o programa começa a esfriar. Aline tinha tudo para ser a grande antagonista da edição. E mais do que isso: tinha tudo para ser o grande embate.

O duelo com Ana Paula Renault estava servido na mesa. Era conflito na certa. Era atrito bom. Era treta que rende VT, discussão no Twitter (o tal X), mesa redonda no dia seguinte e meme reciclado até quarta-feira.

Com a saída de Aline, Ana Paula até permanece, mas perde um espelho forte. O protagonismo, agora, fica capenga. Falta alguém que bata de frente sem pedir desculpa depois. Falta alguém que sustente o desconforto.

Aline não merecia sair agora. Não porque estivesse “certa” ou “errada”, mas porque estava viva no jogo. Estava produzindo reação. Estava movimentando a casa e o público. Eliminá-la na primeira leva é como desligar uma série no segundo episódio porque o personagem principal fala alto demais.

O BBB já mostrou que sabe pedir desculpas ao próprio público. Já trouxe ex-participantes de volta, já deu segunda chance. Aline Campos é dessas que merecem retorno, seja numa repescagem, seja em outra edição.

O Brasil pode até ter se livrado dela agora. Mas vai sentir falta quando perceber que expulsou cedo demais alguém que tinha tudo para bagunçar o jogo, do jeito que a gente diz querer, mas nem sempre sabe sustentar. É contraditório!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CENAPOP.