
por Eduardo Graboski
Publicado em 12/01/2026, às 10h17
O aquecimento do Big Brother Brasil 26 ficou, no mínimo, morno. Diferente de outros anos, não se criou aquele clima de Copa do Mundo, nem a sensação de que “o Brasil vai parar”. As redes não ferveram, os nomes não colaram antes da estreia e a expectativa parece bem mais contida. Isso, gostemos ou não, enfraquece a largada.
Mas se o barulho está menor, o formato, curiosamente, anima. A grande aposta desta edição, ao trazer ex-BBBs para uma segunda chance, é interessante justamente porque mexe com algo que sempre funcionou no reality: narrativa inacabada. O público gosta de redenção, de ajuste de rota, de histórias que ficaram pelo caminho. O problema é que esse formato só funciona se a escolha for cirúrgica.
Nem todo ex-BBB merece voltar. Estar no hype não é sinônimo de relevância. Nem ter milhões de seguidores. Tem gente que rendeu assunto por alguns dias, mas não sustentaria outra temporada inteira. Por outro lado, existem personagens que ficaram na trave, que mostraram potencial real e que, sim, mereciam uma segunda chance.
O exemplo mais claro vem do ano passado, quando duas duplas disputaram vaga literalmente nos 45 do segundo tempo e ficaram de fora. Entre elas, Paula e Nicole Oliveira, mãe e filha. As duas mostraram jogo, conflito, emoção e dinâmica familiar, tudo o que o BBB adora explorar e ainda assim ficaram pelo caminho. Esse tipo de personagem, sim, justificaria um retorno.
Por isso, o sucesso dessa nova dinâmica depende menos da ideia em si e muito mais de quem será escolhido para executá-la.
Outro ponto importante é o esgotamento do “camarote”. A fase de levar celebridades prontas para dentro da casa já ficou para trás. O BBB nasceu como uma fábrica de anônimos que queriam virar famosos e não como um palco para famosos tentarem se reciclar. Quando o programa se afasta disso, ele perde identidade.
O público não quer mais ver famosos administrando imagem, evitando conflitos ou jogando com medo de cancelamento. Quer ver gente comum errando, exagerando, aprendendo e se expondo de verdade. Quer ver subcelebridades nascendo ali, não entrando prontas.
Por isso, essa temporada será uma prova de fogo para a TV Globo. Ou o programa entende de vez que precisa voltar à essência, anônimos ou pessoas pouco conhecidas, ou corre o risco de confirmar algo que muita gente já tem certeza (inclusive eu): que certas dinâmicas simplesmente não funcionam mais.
Na minha opinião, o caminho é claro. Camarote, como conceito, precisa ser enterrado. Não é ajuste fino. É mudança estrutural. Voltar ao básico, ao humano, ao imprevisível. Ponto final.
O formato do BBB não está falido. Longe disso. O que se desgastou foi a forma de escalar, proteger e conduzir os personagens. E o público percebe isso muito rápido. Principalmente quando falamos das celebridades.
Com um aquecimento fraco, mas um formato que instiga, o BBB 26 chega como um teste decisivo. Ou a emissora se mexe, arrisca mais, provoca mais e volta a gerar repercussão real, ou assume de vez que o jogo precisa ser reinventado do zero.
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