
por Eduardo Graboski
Publicado em 14/08/2026, às 16h13
Durante muito tempo, parecia impossível imaginar qualquer reality ameaçando o BBB. Era o programa que lançava tendências, criava bordões, revelava celebridades e dominava as conversas por meses. Só que esse cenário mudou. O BBB continua gigante, mas já não provoca o mesmo delírio de outras temporadas.
A campeã da última edição, Ana Paula Renault, até viveu seu momento de glória, mas o fenômeno passou rápido. O programa continua relevante, claro. Só que deixou de ser aquela coisa capaz de parar o país por 100 dias.
Enquanto isso, a Record entendeu algo que a concorrência esqueceu: reality não sobrevive apenas de provas bonitas e cenários milionários. Sobrevive de gente. E gente que não tem nada a perder, que entra de peito aberto no jogo, sem medo de cancelamento e do que vão falar.
E A Fazenda dá sinais de que vai escalar gente desse tipo. As primeiras informações da 18ª temporada indicam mudanças na dinâmica, fim do Paiol, uma estreia diferente e um elenco mais enxuto, com 22 pessoas. A impressão é que a Record quer acelerar o jogo desde o primeiro dia, sem desperdiçar semanas com figurantes, as famosas “plantas”.
Mas, no fim das contas, nada disso importa se o elenco não entregar entretenimento. E talvez esse seja justamente o maior acerto da Record e do diretor Rodrigo Carelli nos últimos anos. O público cansou de participantes que entram pensando no pós-reality. Gente que passa três meses calculando cada palavra, cada atitude e até o momento certo de pedir desculpas.
Reality show nunca foi sobre isso. Reality é conflito, é posicionamento, é ego, é ser impulsivo. É gente que compra uma briga porque acredita no que está dizendo, e não porque um assessor mandou. Se um dos nomes especulados realmente se confirmar, Gilberto Barros pode ser o protagonista. Não porque todo mundo concorde com ele. Muito pelo contrário.
Gilberto pertence a uma geração da TV que nunca teve medo de dar opinião. Ao longo da carreira, construiu uma imagem de alguém que dificilmente engole desaforo. Coloque um cara desse perfil convivendo 24 horas por dia com influencers da geração mimimi, acostumados a medir cada frase para escapar do cancelamento, e o resultado pode ser explosivo.
Foi exatamente isso que Dudu Camargo entregou na temporada passada. Goste ou não dele, movimentou o jogo porque parecia mais preocupado em jogar do que em preservar a própria imagem. Ele entregava o que o público queria. Justamente porque entende de TV. E com Gilberto Barros é a mesma coisa. É esse tipo de participante que faz falta.
No fim, o público não liga para quem entra na casa ensaiado, fazendo personagem. Liga para quem faz o programa acontecer. Talvez seja essa a maior oportunidade de A Fazenda. As novidades anunciadas para a temporada são importantes. As mudanças podem funcionar, mas o verdadeiro prêmio da Record não será descobrir um novo famoso. Será colocar gente que não tem nada a perder.
Talvez seja justamente essa a grande chance de A Fazenda 18: entregar o reality que os outros tem com medo de fazer. Menos preocupação com cancelamento, mais disposição para conflito. Menos personagem treinado para ganhar seguidores e publis, mais gente capaz de esquecer as câmeras e perder a razão. Se a Record acertar o elenco, o BBB continuará sendo o BBB, mas o melhor reality do Brasil pode estar em outro canal.
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