
por Eduardo Graboski
Publicado em 30/01/2026, às 08h33
A contratação de Cariúcha para assumir o SuperPop, no lugar de Luciana Gimenez, diz muito menos sobre troca de apresentadoras e muito mais sobre uma emissora tentando lembrar quem ela sempre foi.
A RedeTV! nunca foi um canal feito para jogar seguro. Quando o resto da TV brasileira apostava no “tradicional”, no “politicamente correto” e no padrão Globo de qualidade, a RedeTV! fazia o oposto, e fazia questão de esfregar isso na cara de todo mundo.
Enquanto o país assistia a novelas, a emissora exibia Teste de Fidelidade. Enquanto o domingo era território sagrado de auditório clássico, ela colocava no ar o Pânico na TV, um programa que parecia ter sido criado por alguém que decidiu testar até onde dava para ir… e foi além. Era uma televisão caótica, barulhenta, engraçada, corajosa e, cima de tudo, viva e inesquecível.
Colocar Cariúcha no SuperPop não é uma escolha conservadora. Pelo contrário. É a RedeTV! dizendo, ainda que sem discurso oficial: talvez o problema nunca tenha sido o excesso de caos, talvez tenha sido a falta dele.
Cariúcha não é do texto engessado. Não é da marcação milimétrica. Não é do “vamos para o break”. Ela é do improviso puro, do comentário atravessado, da reação exagerada, do meme que viraliza em segundos. É uma comunicadora que não interpreta um papel, ela é o próprio conteúdo. E isso, na televisão de hoje, vale ouro.
Uma coisa que a RedeTV! sempre soube fazer como poucas: gerar cenas que viralizam sem planejamento estratégico, sem social media e sem pedido de desculpas depois. A emissora entende, ou pelo menos já entendeu, que há um público que não quer a TV “certinha” e “bem-comportada”. Quer a TV que erra, que exagera, que vira assunto no Twitter, no WhatsApp e no Instagram.
Cariúcha é praticamente uma usina portátil desse tipo de televisão. Onde ela está, alguma coisa acontece. Nem sempre bonita. Nem sempre elegante. Mas quase sempre comentada. E televisão aberta, em 2026, precisa ser comentada. Audiência pura já não basta.
Luciana saiu, mas o formato pede outra energia. Ela construiu uma era no SuperPop. Isso é indiscutível. E ir para um extremo, talvez seja estratégia. A troca por Cariúcha não é só estética. É editorial. É quase filosófica. Sai o controle. Entra o risco. É o tal do programa surpresa.
É a RedeTV! flertando novamente com sua própria irreverência. Pode dar errado? Claro. Mas desde quando isso foi um problema? Sim, pode dar errado. Pode exagerar. Pode passar do ponto. E, no fim, vai dar certo.
Afinal, a emissora nunca foi do “meio termo”. Seu lugar sempre foi o extremo. Quando ela tenta ser igual às outras, desaparece. Quando assume o risco, reaparece. Cariúcha no SuperPop é isso: um lembrete de que a TV não precisa ser sempre segura, ela precisa ser interessante. E, convenhamos, nada mais interessante do que uma emissora decidindo, novamente, não pedir licença para ousar.
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