EDUARDO GRABOSKI

O algoritmo descobriu que solidão dá dinheiro, e os famosos já estão faturando

Aline Mineiro, ex-panicat, revela que faturou R$ 30 mil em 17 dias de live no TikTok
Aline Mineiro, ex-panicat, revela que faturou R$ 30 mil em 17 dias de live no TikTok - Foto: Divulgação
Eduardo Graboski

por Eduardo Graboski

Publicado em 12/05/2026, às 09h45

Aline Mineiro, a ex-panicat que esteve em A Fazenda, ficou horas no TikTok ao vivo falando com Jonas do BBB. Nenhuma pauta. Nenhum roteiro. Nenhuma grande revelação. Só ela, a câmera e uma plateia de desconhecidos mandando moedinhas.

Virou notícia. Virou assunto. Virou dinheiro.

Babi Muniz, ex-reality, faz isso. Luara Lugli, que era do Pânico, faz isso. Gabily, a cantora, faz isso. Passa horas ao vivo sem entregar nada em especial, além de presença. Sorri, lê comentário, agradece presente virtual, chama pelo nome, manda beijo, continua. A live não tem programa. Não tem conteúdo. Tem disponibilidade. E isso aparentemente é o produto mais caro da web em 2026.



A live de conversa virou uma espécie de sala de estar pública, só que com filtro, ring light, botão de presente e moedinhas. Não há exatamente uma grande ideia. Há presença. E presença virou um dos produtos mais valiosos da internet porque entrega o que quase nada mais entrega: a sensação de que existe uma relação. Ainda que por alguns segundos. Ainda que com um desconhecido.

No passado, era chamada de presença VIP. A celebridade (ou subcelebridade, mesmo) participava de eventos, feiras, inaugurações de lojas e afins. Ficava um tempo lá, tirava fotos com pessoas, posava para a imprensa e ganhava por isso. Hoje, isso é raro. Vale mais para os globais mesmo.

Agora, a lógica é quase cruel de tão simples: alguém monetiza atenção, alguém compra sensação de proximidade, a plataforma transforma os dois em maquininha. Não é novo. A internet já monetizou vaidade, raiva, ostentação, treta e dancinha ruim. Faltava organizar melhor a carência. Agora organizou.

A live de conversa é um SAC emocional com ranking de presenteadores. Quem manda mais aparece mais. Quem aparece mais se sente, por alguns segundos, um pouco menos invisível. Parece triste. É. Mas também é trabalho. Quem faz entende que na internet nem sempre vence quem tem algo a dizer. Às vezes vence quem aguenta ficar disponível por mais tempo.

A pergunta que fica não é por que Aline Mineiro ou Babi Muniz fazem live. É porque tanta gente fica. O que está faltando fora da tela para sobrar tanta busca por companhia dentro dela?

O TikTok não inventou a solidão. Só descobriu que ela paga. E muito bem.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CENAPOP.