
por Eduardo Graboski
Publicado em 13/04/2026, às 10h03
Se você piscou nesse fim de semana, perdeu uma coisa rara: a televisão aberta brasileira resolveu se mexer. A Globo mudou a programação para tentar conter um Corinthians x Palmeiras na Record. Picotou o BBB 26, jogou parte antes do Domingão com Huck, bagunçou a ordem natural das coisas. Tudo para segurar o público.
Do outro lado, o SBT apelou para o baú e sem vergonha nenhuma. Ressuscitou a Banheira do Gugu dentro do Passa ou Repassa, com Celso Portiolli, numa tentativa clara de fazer barulho. E fez. Nas redes sociais, muito se comentou. A expectativa era grande.
Funcionou? Mais ou menos. A Banheira deu uma levantada no Domingo Legal, mas não chegou nem perto de ameaçar a Globo. A Record, com futebol ao vivo, seguiu firme ali no topo da confusão. E a Globo, mesmo mexendo na grade, também não resolveu tudo de uma vez.
Ou seja: ninguém ganhou de goleada. Mas, sinceramente, isso é o menos importante. Porque o que esse fim de semana mostrou não foi quem venceu. Foi que alguém finalmente lembrou que televisão é disputa.
Por muito tempo, a TV aberta parecia anestesiada. Perdendo público com educação. Sem reação. Como se tivesse aceitado que o streaming levou o jogo e pronto. Agora não. Agora tem grade mudando em cima da hora. Tem programa tentando segurar público no grito. Tem nostalgia sendo usada como arma.
Tem desespero? Tem. Mas tem vida também. E televisão sem desespero nunca foi boa televisão. Claro, nada disso dá resultado imediato. TV é hábito. Não é porque a Banheira voltou que o público vai correr automaticamente. Até porque nem voltou igual, e isso pesa. Memória afetiva não aceita remake tímido.
Do mesmo jeito, usar o BBB como escada para segurar audiência parece lógico, mas precisa de repetição. Precisa virar rotina. Precisa insistir. Só que o ponto não é esse. O ponto é: as emissoras voltaram a olhar umas para as outras. E quando isso acontece, a coisa muda. A Globo deixa de jogar sozinha. O SBT para de ser previsível. A Record vira ameaça real, não só figurante de tabela.
E o público, que andava largado, começa a ser disputado de novo. No fim das contas, a TV não precisava de uma revolução criativa. Precisava de um pouco de vergonha na cara. De lembrar que sempre foi sobre briga, barulho e improviso. E, pelo menos nesse fim de semana, ela lembrou. E olha… já estava passando da hora.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CENAPOP.
COLUNISTAS
Faustino Júnior | Nerd de Negócio
A Farra dos “Pseudo Tributaristas” e o Colapso das Soluções Fiscais Milagrosas