EDUARDO GRABOSKI

BBB 26 prova que emoção ainda ganha da estratégia

Contra Juliano e Tia Milena, Ana Paula Renault vence o BBB com mais de 75% dos votos
Contra Juliano e Tia Milena, Ana Paula Renault vence o BBB com mais de 75% dos votos - Foto: Divulgação
Eduardo Graboski

por Eduardo Graboski

Publicado em 22/04/2026, às 11h38

O BBB 26 termina deixando uma lição importante para a Globo. Depois de temporadas em que o reality pareceu obcecado por estratégia, pauta, discurso e treta fabricada, essa edição mostrou que emoção ainda funciona. E funciona muito.

Ana Paula Renault ganhou porque foi a maior personagem da temporada. Tinha bagagem, memória afetiva, força de cena e um peso que os outros não alcançaram. Não venceu por ser perfeita. Venceu por ser incontornável.

Na reta final, o BBB foi atravessado por fatores externos que mudaram o tom do programa. Tadeu Schmidt viveu a perda do irmão. Ana Paula recebeu a notícia da morte do pai. E, de repente, o reality saiu um pouco do modo automático da estratégia e entrou num terreno mais humano, mais sensível, mais verdadeiro.



Talvez esteja aí o principal acerto desta edição.

O BBB passa tempo demais tentando transformar tudo em tese e conflito. Mas o público não quer só assistir o jogo. Quer se envolver. Quer sentir. Quer torcer por alguém que desperte alguma coisa real. Ainda que inconscientemente, o maior mérito do BBB 26 foi justamente recuperar esse clima.

Outro ponto positivo foi mostrar que emoção não enfraquece o reality. Ao contrário. Dá peso. Dá lastro. Dá motivo para o público continuar vendo. Muita gente chorou, se entregou, passou a acompanhar de perto cada cena.

Já entre os pontos negativos, o programa ainda segue refém do excesso de dinâmica, de interferência e de uma mania de transformar qualquer conflito em grande debate moral. Às vezes, o BBB quer controlar demais o que deveria simplesmente deixar acontecer.

Também ficou claro que existe um desgaste na lógica da treta pela treta. Barraco sozinho já não sustenta tudo. O público ainda gosta de conflito, claro. Mas conflito sem verdade cansa rápido. E foi aí que Ana Paula se destacou. Porque, no fim, ela ofereceu mais do que leitura de jogo. Ofereceu presença, história e emoção. Virou o centro simbólico da temporada.

Para 2027, a lição parece clara. O BBB precisa de menos participantes treinados para parecer estratégicos e mais gente que renda televisão de verdade. Menos jogador montado para repercutir bem. Mais personagem capaz de provocar, irritar, emocionar e mobilizar.

Eu sigo contra essa obsessão por estratégia lá dentro. Participante que entra calculando demais geralmente entrega menos do que promete. Mas isso é diferente de ter estratégia para entrar no reality. Fazer um vídeo de inscrição de forma inteligente, entender o que a produção quer enxergar e saber vender sua personalidade na seleção não mata a espontaneidade. Só evita que gente sem brilho passe na frente de quem realmente renderia.

O BBB 26 deixa um recado simples: emoção ainda move o público. E talvez o futuro do programa passe menos por inventar novas mecânicas e mais por escalar pessoas que façam o espectador sentir alguma coisa. No fim, Ana Paula ganhou por isso. Porque foi maior que o jogo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CENAPOP.