EDUARDO GRABOSKI

Virginia no Domingão: a cobertura que esqueceu de cobrir a Copa

Luciano Huck anuncia estreia de quadro com Virginia Fonseca na Copa do Mundo nos EUA
Luciano Huck anuncia estreia de quadro com Virginia Fonseca na Copa do Mundo nos EUA - Foto: Divulgação
Eduardo Graboski

por Eduardo Graboski

Publicado em 15/06/2026, às 11h10

A estreia de Virginia como correspondente do Domingão com Huck na Copa do Mundo deixou uma dúvida no ar: era uma cobertura do Mundial ou um vlog egocêntrico em Nova York?

A ideia, em tese, era boa. Levar uma influencer para a TV aberta, conversar com o público jovem, misturar bastidor, entretenimento e linguagem de internet. Faz sentido. A televisão precisa mesmo parar de fingir que o mundo ainda é o mesmo desde o penta.

O problema é que o quadro não mostrou a Copa. Não teve pé, nem cabeça. Mostrou Virginia. Virginia no metrô. Virginia no barco. Virginia olhando a Estátua da Liberdade. Virginia de helicóptero. Virginia observando de cima o estádio onde o Brasil enfrentaria Marrocos. Tudo bonito, turístico, caro e sem função.



Faltou rua, torcida, brasileiro gritando, estrangeiro perdido, personagem, caos, cheiro de Copa. Faltou Copa. O que poderia ser uma cobertura leve dos bastidores virou um “acompanhe Virginia em um dia de passeio”.

Só que o público do Domingão não espera diário de viagem com helicóptero e enquadramento bonitinho. Espera ver o clima do Mundial. Luciano Huck ainda tentou amarrar o material no off, dar contexto, criar uma narrativa, fingir que aquilo tinha uma missão. Mas era difícil. O VT não sabia se queria ser reportagem, vlog, publi turística ou quadro de lifestyle.

A participação de Lucas Guedez, em alguns momentos, foi o que deu respiro. Quando ele aparecia, havia alguma graça, ritmo e dinâmica. A troca entre os dois funcionava melhor do que a proposta em si. Mas nem Lucas conseguiu salvar um formato que nasceu olhando mais para a protagonista do que para o acontecimento.

E é aí que mora o erro. Influencer na TV pode funcionar. O problema é achar que basta colocar uma pessoa famosa da internet, neste caso com 57 milhões de seguidores, diante de uma câmera para o conteúdo acontecer sozinho.

Virginia é popular, sabe falar com o público dela e construiu um fenômeno nas redes. Mas, nesse quadro, está deslocada. A Copa pedia alguém com mais olhar de rua, improviso, faro para personagem, humor ou até jornalismo. Alguém que percebesse que a história não estava no helicóptero, mas provavelmente no torcedor suado, perdido, pintado de verde e amarelo.

Tatá Werneck faria render o absurdo. Lívia Andrade, que já está no programa, talvez brincasse melhor com o ambiente. Muitos repórteres talentosos poderiam entregar uma cobertura popular, divertida e ainda assim com conteúdo. Quem sabe até alguma ex-BBB debochada e engraçada.

No fim, a Globo tentou ser moderna, mas caiu numa armadilha antiga: confundiu fama com entrega. Virginia virou o assunto principal de um quadro que deveria ser sobre qualquer coisa, menos sobre ela mesma. Nem sempre ela deve ser o assunto, Virginia pode ser a ponte, o olhar, a isca para trazer outro público. Mas não pode ser o acontecimento, até porque não é.

De quase oito minutos de vídeo, no segundo já deu vontade de desistir e mudar de canal. Só fiquei até o final porque precisava escrever sobre ele. Sofrido!