
por Eduardo Graboski
Publicado em 14/04/2026, às 09h57
Se o Mercado Pago achou uma boa ideia recriar o GigaByte Café - icônica lanchonete da série de TV - no Parque Villa-Lobos, aqui em São Paulo, talvez esteja na hora de a Globo perceber uma coisa bem simples: Malhação ainda vive no imaginário popular. E isso não é pouca coisa.
Num momento em que a TV aberta envelhece junto com seu público, faz cada vez mais sentido recuperar uma marca que sempre falou com os jovens sem precisar pedir desculpas por isso. O jovem continua consumindo histórias, casais, tretas, personagens e identificação. Só mudou de tela. Saiu da TV aberta e foi para o streaming.
A questão é que a Globo abriu mão de um produto que poderia justamente funcionar como ponte entre esses dois mundos.
Trazer Malhação de volta hoje não deveria significar repetir a fórmula antiga, com cara de reprise emocional. A saída seria relançar o projeto como uma série teen de TV aberta, com linguagem mais ágil, estética mais atual e cara de produção nacional competitiva. Uma espécie de “streaming com CPF brasileiro”, mas dentro da televisão.
E existe uma carência clara aí.
A TV aberta perdeu um espaço que servia não só para captar a atenção de um público mais novo, mas também para formar hábitos. Público jovem não é só audiência de agora. É a audiência que pode continuar com a emissora amanhã. Abandonar esse grupo é aceitar, com alguma preguiça, que ele pertence definitivamente às plataformas como Netflix, HBO Max e outras.

Além disso, Malhação sempre foi uma fábrica de elenco. Revelava ator, testava linguagem, descobria rosto, renovava a dramaturgia. Sem essa engrenagem, a televisão também perde um laboratório importante de talentos.
No fim, a ação publicitária talvez tenha feito mais pela memória de Malhação do que a própria Globo nos últimos tempos. E isso, convenhamos, é um pouco humilhante.
Se uma marca viu valor em reviver o GigaByte, a Globo poderia pelo menos considerar reviver a ideia inteira. Não por nostalgia. Por sobrevivência.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CENAPOP.
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