EDUARDO GRABOSKI

O Carnaval virou a nova era das panicats

O Carnaval virou a nova era das panicats
O Carnaval virou a nova era das panicats - Foto: Reprodução
Eduardo Graboski

por Eduardo Graboski

Publicado em 23/02/2026, às 08h42

Teve uma época em que a TV fabricava símbolos nacionais com uma fórmula simples: câmera, trilha animada e uma “panicat” atravessando o estúdio. O Brasil parava. Era corpo, carisma, dancinha e pura ousadia. Ou pelo menos era assim que vendiam.

Corta para 2026. Troca o estúdio pela avenida. Troca a TV pelas redes sociais. Troca o diretor pelo algoritmo. E pronto: o Carnaval virou a nova fábrica de gostosas. Mas calma. Não é crítica. É observação.

Todo ano surgem novas musas, novos nomes, novos corpos que viram assunto antes mesmo do segundo refrão do samba. Um vídeo de 12 segundos resolve. Um close certo muda tudo. Um flagra estratégico vira manchete. O Brasil continua o mesmo: ama uma mulher ousada.



Só que agora tem um detalhe interessante. Elas não estão lá por acaso.

A “panicat” antiga era escolhida. A musa de hoje se constrói. Tem investimento, tem estratégia, tem parceria, marketing, tem contrato fechado antes mesmo de pisar na avenida. O que parece só fantasia muitas vezes é plano de carreira.

O Carnaval deixou de ser só desfile. Virou vitrine. Tem influencer querendo validar presença física. Tem empresária querendo fortalecer marca pessoal ou negócio. Tem criadora de conteúdo querendo ampliar público. Tem anônima querendo ficar famosa, e conseguindo. 

E o público? Continua julgando com a mesma intensidade de sempre. Se é ousada demais, exagerada. Se é discreta demais, sem graça. Se fala muito, apelativa. Se não fala, sem personalidade. Nada mudou tanto assim. Mas talvez a grande diferença esteja no controle da narrativa.

A mulher que antes era vista só como “gostosa da TV” hoje responde, posta, monetiza, cria própria versão da história. Ela entende o jogo. E joga. O Carnaval virou uma espécie de reality show ao vivo, sem edição e com torcida organizada no Instagram. É brutal. É rápido. É estratégico. E talvez seja por isso que ele virou também uma fábrica de personalidades.

Não basta ser bonita. Tem que ter presença. Não basta aparecer. Tem que sustentar. A nova era das “panicats” tem samba no pé, equipe de marketing e plano de carreira. Pode parecer só pluma e brilho. Mas, em muitos casos, é um reposicionamento. São “famosas” esquecidas que turbinam suas aparições.

No fim das contas, o Carnaval continua fazendo o que sempre fez: criando ícones temporários. A diferença é que agora algumas dessas musas não querem só 15 minutos de fama. Elas querem carreira. Querem reality show, programas de TV, querem novas oportunidades usando o rótulo de Carnaval. E, goste ou não, estão aprendendo a usar a avenida como trampolim.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CENAPOP.