Reality show acerta ao escolher 'personalidades' corajosas e que não têm nada a perder

por Eduardo Graboski
Publicado em 16/10/2025, às 11h31
Quem diria que o “melhor elenco dos últimos tempos” viria justamente do elenco mais “anônimo” da história de A Fazenda? Pois é. Rodrigo Carelli, o diretor, entendeu mesmo o que o público quer ver: gente que joga, fala o que pensa e não tem medo de cair na roça.
No começo, muita gente torceu o nariz. “Não conheço ninguém”, “cadê os famosos?” — frases que ecoaram no X (antigo Twitter) como se fama fosse sinônimo de entretenimento. Mas bastou a convivência forçada, os egos inflados e o caos estratégico para o jogo virar. O público descobriu que o que sustenta um bom reality não é o currículo, é o comportamento.
A Fazenda 17 (ou 200, porque já perdemos a conta) parece ter buscado inspiração justamente no rival: o Big Brother Brasil das antigas. Aquela fase em que o medo do cancelamento ainda não existia e o confinamento era laboratório humano, não vitrine de publi.
Carelli entendeu o que Boninho esqueceu: para o reality funcionar, o elenco precisa ser movido por instinto e entretenimento. E é aí que entra o charme da coisa. Quando o participante não tem manual de reputação nem medo de linchamento virtual, o reality volta a ser interessante.
Dudu Camargo é praticamente um personagem de novela mexicana com roteiro de The Office. Yoná tem o sarcasmo e o timing que lembram os bons tempos da Fazenda 4. Ray é o caos organizado. Carol Lekker virou sinônimo de “não sei quem é, mas já amo”. E Michelle Barros… bem, Michelle finalmente entendeu que TV ao vivo não perdoa quem joga parado.
O grande acerto está no perfil dos escolhidos. A Record parece ter aprendido com os tropeços do passado, quando apostava em nomes mais famosos, porém engessados, preocupados com a imagem e com os contratos aqui fora. Gente que entrava com medo de se posicionar — e de perder o “close certo”.
Dudu Camargo, por exemplo, é o oposto disso. Já entrou cancelado, cheio de polêmicas, com a rejeição do público e, ainda assim, virou protagonista. Mostrou outro lado, conquistou aliados, gerou conexão e até torcida. Ele é o retrato do que A Fazenda precisa: gente que não tem nada a perder — e, justamente por isso, entrega tudo.
No fim das contas, a Record entendeu o que o público de reality mais sente falta: o jogo cru, divertido, sem medo de errar. Porque o Brasil já se cansou de ver quem tem milhões de seguidores e zero coragem. E se continuar nesse ritmo, A Fazenda pode ter encontrado a sua nova fórmula do sucesso: menos celebridade, mais verdade.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CENAPOP.