
por Eduardo Graboski
Publicado em 22/09/2025, às 09h00
Longe de mim competir ou contrariar Chico Barney, o profeta dos realities, que já cravou a vitória da atriz Gabriela Spanic, a eterna Usurpadora. Mas se tem alguém que já entendeu A Fazenda 17, esse alguém é Dudu Camargo.
O rapaz entrou cancelado, sem nada a perder, e justamente por isso virou favorito. Ele percebeu rápido que vitimismo não vende mais — o público não quer coitadismo, quer caos. Mas não qualquer caos: o caos controlado, aquele que rende fofoca, cutucada, meme, e que faz a gente querer ligar a TV na hora da formação da roça.
Dudu cresceu aos olhos do público porque sabe jogar. Teve Silvio Santos como mestre e aprendeu direitinho como funciona a televisão: entregar o que o público espera, sem exagerar no barraco. Ele provoca, mas não cai na baixaria. Ele arma, mas não perde o sorriso e a ingenuidade. E nisso conquistou uma coisa rara em reality: virou protagonista.
Enquanto alguns peões se perdem tentando bancar os mocinhos ou os vilões de novela mexicana, Dudu joga no estilo talk show: dá opinião, solta uma fofoca, planta intriga e, quando percebe que a coisa pode estourar, muda de assunto como quem muda de canal. É aquele caos gostoso de acompanhar. Não é cansativo, não tem barraco, nem discussão chata - como na edição passada.
E convenhamos: o resto da turma está servindo de escada. Uns forçam grupo para ver se engatam torcida, outros tentam emplacar o papel de “injustiçado” e até de “herói”, mas o público já sacou que essa fórmula venceu. O que rende hoje é sinceridade debochada, treta com humor e meme em tempo real. Dudu já entendeu isso antes mesmo de entrar.
Por isso, se a final fosse amanhã, já dava para decretar: Dudu Camargo é o campeão. Não porque é perfeito (longe disso), mas porque entendeu que A Fazenda é entretenimento. E nesse quesito, ele está entregando mais que vaca leiteira em reality rural.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CENAPOP.
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