EDUARDO GRABOSKI

Eliana no comando do BBB? O Brasil não está preparado

Ainda sem programa na Globo, Eliana é cotada para apresentar o BBB 26
Ainda sem programa na Globo, Eliana é cotada para apresentar o BBB 26 - Foto: Divulgação
Eduardo Graboski

por Eduardo Graboski

Publicado em 16/09/2025, às 09h59

A notícia caiu como uma bomba no mundo da TV: Eliana é cotada para substituir Tadeu Schmidt no comando do Big Brother Brasil. A escolha, se confirmada, é daquelas que dividem opiniões — afinal, estamos falando de uma apresentadora marcada pela elegância, pelo apelo família e pelo sorriso, assumindo justamente o reality que sobrevive de treta, lágrimas, cancelamento e, claro, fogo no parquinho.

Tem gente que vibra: “Nossa, que maravilhosa, vai trazer classe ao programa”. Classe? Meu amigo, o BBB não precisa disso, precisa de ironia, cutucada, cara de deboche na hora do discurso de eliminação. Precisa de alguém que saiba falar de rejeição de 90% como quem comenta a previsão do tempo. Será que Eliana tem essa pegada?

A grande verdade é que a Globo pode estar mirando em outra coisa: reposicionar o programa. Tirar um pouco da tensão e entregar leveza, carisma e simpatia. Mas será que o público quer isso? O brasileiro liga a TV justamente pra ver barraco, aliança falsa e discurso venenoso. É entretenimento com gosto de caos.



Não dá pra negar que Eliana tem credibilidade. É experiente, segura, tem décadas de televisão no currículo. Mas ser apresentadora de auditório é uma coisa. Ser o rosto que anuncia quem o Brasil resolveu cancelar em massa é outra bem diferente. E a internet não perdoa: qualquer frase mal colocada vira meme, trend, ataque e por aí vai. Ali no BBB é energia, gritaria e atitude, sobretudo de quem comanda.

O público está acostumado com apresentadores que soltam veneno na medida. Pedro Bial entregava filosofia com ironia fina, Tiago Leifert bancava o nerd e estrategista sério, e Tadeu Schmidt… bom, Tadeu virou aquele “padrinho de batizado” que explica o jogo como se desse sermão em adolescente. O público já se acostumou com a narração didática dele, mas falta tempero. O discurso de Tadeu muitas vezes mais parece manual de instrução do que explosão de emoção.

É nesse ponto que Eliana surge como a novidade, o inusitado. Eu já consigo ver o cenário: uma galera defendendo a novidade com a hashtag “#ElianaRainha”, outros criticando e pedindo “alguém mais ácido”. E no meio disso tudo, a Globo, que adora uma polêmica, esfregando as mãos. Porque, no fim, o que importa é falar do programa, é gerar buzz e ganhar repercussão.

Se a aposta for confirmada, a mensagem é clara: o BBB vai trocar o cinismo pelo sorriso, a tensão pelo carisma, a treta pelo clima paz e amor. Só que o Brasil é aquele vizinho que não dorme sem ouvir a briga do casal da rua. O público não quer só fofura — quer fogo. E Eliana vai ter que provar que consegue botar gasolina sem perder o salto e a elegância.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CENAPOP.