
por Eduardo Graboski
Publicado em 21/07/2025, às 10h22
Confesso que nem ia escrever esse texto. Já falei, repeti e, se precisar, escrevo até faixa na rua: sou defensor da TV raiz. Aquela que a gente via sem-vergonha, sem medo de ser feliz — e, sim, com a banheira do Gugu no domingo à tarde, enquanto a família almoçava vendo famosos de sunga e biquíni tentando pegar sabonete.
Pois bem, ela voltou. A icônica Banheira do Gugu ressurgiu no programa do Ratinho e, como era de se esperar, dividiu opiniões. De um lado, os saudosistas (prazer!), que vibraram com a volta do quadro que é praticamente um meme ambulante da TV aberta.
Do outro, os “velhos de hoje”, que se dizem a revolução do amanhã, mas que parecem não fazer as pazes com o próprio passado de sucesso, aquele em que não precisava viralizar no TikTok para ser um hit nacional.
É curioso — e até engraçado — como essa turma que vive da nostalgia da infância – e vive relembrando os feitos da TV nos anos 90 e 2000 –, agora torce o nariz pra tudo que foge do politicamente correto. Mas a verdade é uma só: a TV também é entretenimento, e não só jornalismo, debate sério, gente gritando em bancada e programa “enlatado” de audiência maquiada.
O povo quer rir, se divertir, se identificar. Quer ver o que é popular, quer reviver o passado. E Ratinho entendeu isso como poucos. Talvez porque ele nunca tenha tentado ser o que não é. É um dos poucos apresentadores que ainda conversa com o Brasil real, que não tem medo de errar, exagerar, dançar com os jurados, lançar um quadro maluco e, agora, trazer de volta a Banheira.
A verdade é que a TV brasileira andava mesmo precisando de um banho... de autenticidade. De se permitir voltar às origens sem se preocupar tanto em parecer perfeita. Porque perfeição cansa, afasta, e não cola.
Então sim, Ratinho acertou. Que continue. Porque em um país onde reality show, fofoca e polêmica ainda são os maiores motores de audiência, fingir que a televisão precisa ser sempre séria é o maior dos absurdos.
No fim, quem reclama da banheira... provavelmente já quis estar nela. Com sabonete na mão e tudo. Ou já enalteceu o seu sucesso, numa época em que era moda gostar da TV popular. Hipocrisia, né?!
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CENAPOP.




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