
por Eduardo Graboski
Publicado em 23/09/2025, às 11h28
O Grupo Silvio Santos decidiu entrar no jogo de vez: ainda em 2025 estreia o SBT News, um canal inteiramente dedicado às notícias, com programação 24 horas por dia, sete dias por semana. A marca, que já existia no digital, agora ganha musculatura de TV e promete disputar espaço com os grandes players do setor, leia-se Globonews, Jovem Pan e CNN.
E aqui está o ponto central: o futuro da televisão passa, inevitavelmente, pelo jornalismo. Pode reparar — quem já abandonou a TV aberta continua voltando a ela nos momentos que realmente importam. É quando acontece uma tragédia, uma crise política, uma Copa do Mundo, a posse de um presidente, a confirmação de uma notícia que corre solta nas redes sociais. É nessa hora que a TV, com seu alcance e credibilidade, vira referência.
A presidente do SBT Daniela Abravanel Beyruti, acerta com essa decisão. É a cartada que faltava na programação de uma emissora historicamente mais ligada ao entretenimento popular. Muito também se deve a CEO do grupo, Ana Karina Bortoni, que quer competir em pé de igualdade com os maiores canais de notícia do país.
O SBT chega tarde nessa disputa, mas chega com a força de uma marca que fala com todas as classes sociais. A novidade tem peso justamente porque o SBT sempre foi visto como “família, novela mexicana e auditório”. Apostar em jornalismo 24 horas é virar essa chave. O desafio de se reinventar é grande, mas necessário.

A implantação será liderada por Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações. E isso já dá o tom de como o projeto será acompanhado de perto pelo público: todo mundo vai querer saber se o canal terá independência editorial. Porque o jornalismo, para funcionar, precisa de credibilidade — e isso se constrói com distância de interesses políticos.
Se tem algo que o SBT sabe fazer é comunicação popular. A grande questão é: como transformar esse DNA em um jornalismo que seja leve sem perder seriedade, acessível sem perder relevância? O segredo do sucesso talvez esteja aí. Mais do que investimento, tecnologia e nomes de peso, é preciso encontrar o tom do jornalismo.
Se o SBT News conseguir entregar informação rápida, confiável e com a identidade do canal, pode virar alternativa real num mercado saturado de discursos previsíveis. Se não, corre o risco de ser só mais uma faixa na TV que a gente zapeia.
Uma coisa é certa: em tempos de fake news e timelines caóticas, a TV continua sendo o lugar para confirmar se algo aconteceu de verdade. E o SBT, ao apostar no jornalismo 24 horas, sinaliza que entendeu isso. O tempo dirá.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CENAPOP.