
por Eduardo Graboski
Publicado em 05/05/2026, às 11h24
Zapeando o TikTok, caí num vídeo da Cris Macahiba. Nada muito mirabolante: ela, pilota de avião, mostrando a própria rotina. Bastidor de voo, hotel, destino novo, dica do que fazer em uma cidade, curiosidade da aviação. Aquele tipo de conteúdo que você vê sem compromisso e, quando percebe, já assistiu mais cinco.
O curioso é que o sucesso dela não está só na aviação. Claro, o tema ajuda. Piloto ainda é uma profissão que desperta curiosidade. A gente quer saber o que acontece antes do embarque, como é viver de país em país, como funciona a rotina de quem está sempre no ar.
Mas o que prende mesmo é a sensação de acesso. A Cris mostra um mundo que muita gente não vê. E mostra de um jeito leve, sem parecer aula, sem forçar personagem ou ostentação, sem aquela ansiedade de transformar tudo em grande acontecimento.
Ela dá dicas de destinos, mostra lugares legais para conhecer, dá detalhes da profissão e divide cenas do dia a dia. Simples assim. E talvez seja exatamente esse o segredo. Nada é montado, roteirizado ou ensaiado.
A internet cansou da vida perfeita e montada demais. Cansou da viagem sempre impecável, da pose sempre pensada, da rotina sempre maravilhosa e planejada. Hoje, o que aproxima é ver alguém vivendo alguma coisa interessante sem parecer que está encenando o tempo todo.
A Cris faz isso muito bem. E prova que rotina vira entretenimento dos bons, e dá audiência. É aqui que muitos deveriam prestar atenção. Nem sempre o caminho está em inventar um personagem, montar um cenário perfeito ou planejar cada frase como se fosse campanha publicitária. O que prende é justamente o contrário: mostrar a vida com mais naturalidade, menos filtro e mais verdade.
Ela escancara uma tendência que deve ganhar cada vez mais força por aqui: o público quer bastidor, quer rotina, quer sensação de proximidade. Quer ver gente fazendo coisas reais, mesmo que simples. Porque, no fim, autenticidade também é estratégia. E talvez seja a mais difícil de copiar.
Ela não precisa gritar para chamar atenção. Não precisa fingir caos, fanfic, polêmica ou luxo. O conteúdo funciona porque tem curiosidade, tem rotina e tem uma pessoa real ali, mesmo que editada, claro, como tudo nas redes. No fundo, é quase um reality de bolso. Só que sem confinamento, sem prova do líder e sem VT dramático.
A gente entra para ver um vídeo e fica para acompanhar. Talvez essa seja uma boa explicação para o sucesso dela: Cris entendeu, mesmo sem transformar isso em tese, que hoje aparecer não basta. É preciso criar hábito, conexão e vontade de voltar.
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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CENAPOP.
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