EDUARDO GRABOSKI

O que esperar do novo reality da Record? Ego, poder, perrengues e Boninho no comando

Boninho criou o formato e vai dirigir o novo reality na Record TV, mesma emissora do hit A Fazenda
Boninho criou o formato e vai dirigir o novo reality na Record TV, mesma emissora do hit A Fazenda - Foto: Reprodução
Eduardo Graboski

por Eduardo Graboski

Publicado em 05/03/2026, às 10h34

Boninho entendeu uma coisa antes de todo mundo: reality show não é sobre convivência. É sobre poder. Seu novo programa na Record, Casa do Patrão, parte de uma ideia tão simples quanto provocadora. Em vez de colocar todo mundo no mesmo nível, o reality cria três ambientes diferentes, cada um representando uma posição dentro do jogo. Não é só uma divisão de espaço. É uma divisão de status.

Não à toa, o reality terá três casas, três ambientes diferentes. No topo está a Casa do Patrão. É onde fica quem manda. O participante que ocupa esse lugar ganha privilégios, conforto e, principalmente, influência sobre o destino dos outros. É o tipo de posição que muda o comportamento de qualquer pessoa em poucos minutos. O poder faz isso.

Na outra ponta está a Casa do Trampo. E o nome não é por acaso. É o lado menos confortável, menos glamouroso e mais vulnerável do jogo. Quem está ali não tem privilégios. Tem que lidar com as consequências de não estar no controle. Em reality, como na vida, ninguém quer ficar nesse lugar por muito tempo.



Entre esses dois extremos existe a Casa da Convivência. É o espaço comum, onde todos se encontram, conversam, votam e se observam. É ali que o jogo realmente acontece. Onde começam as alianças que depois viram traições.

Mas o mais interessante não é a estrutura. É o que ela provoca. Boninho não quer apenas testar quem é mais simpático, mais estratégico ou mais popular. Ele quer ver o que acontece quando você dá poder para alguém e tira de outro. E as reviravoltas são só o começo de uma série de perrengues, brigas e provocações.

Porque o público gosta de ver transformação. Gosta de ver quem muda quando sobe. E gosta mais ainda de ver quem faz de tudo para não ficar por baixo. No fim, a Casa do Patrão não é só um reality. É um experimento social com nome e sobrenome.

E Boninho sabe que não existe nada mais viciante para o público do que assistir alguém descobrir, em rede nacional, até onde iria para deixar de ser funcionário e virar patrão.

É uma jogada estratégica. A Record vê no formato espaço para ocupar o vácuo deixado pelo fim do BBB no primeiro semestre, enquanto Boninho testa o que a Globo não quis, ou não teve coragem, de fazer nos últimos anos: recuperar a alma do reality show de confinamento, aquele que se baseia em personalidade, convivência, conflito e transformação social.

Se der certo, ‘Casa do Patrão’ pode reeducar o público sobre o sentido de acompanhar um reality, lembrando à TV aberta que audiência não depende apenas de quem já chega com milhões de seguidores, mas da capacidade de construir novos personagens.

No fim, a pergunta que vale para a estreia é simples: depois de anos moldando o BBB, Boninho vai conseguir salvar o próprio gênero? Se o teaser for uma pista real do que vem aí, a resposta pode estar mais perto do que parece.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CENAPOP.