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Taís Araújo sobre nudez em Xica da Silva: “Eu faria sem mulher pelada”

Taís Araújo em foto atual, e aos 17 anos, nos bastidores da novela Xica da Silva
Taís Araújo em foto atual, e aos 17 anos, nos bastidores da novela Xica da Silva - Foto: Reprodução/ Instagram

Redação Publicado em 20/10/2020, às 17h58 - Atualizado às 17h59

Taís Araújo contou que “era desconfortável” gravar as cenas de nudez da novela Xica da Silva, de Walcyr Carrasco, exibida pela TV Manchete em 1996.

Com apenas 17 anos na época em que interpretou Xica da Silva, a protagonista da história, a atriz disse que, se pudesse, faria as mesmas cenas sem “expor os corpos das mulheres”.

“Eu acho que não deletaria (as sequências de nudez). Eu faria as mesmas cenas sem a exposição dos corpos das mulheres. E elas teriam a mesma força, entendeu? A exposição é que é desnecessária. Eu conversaria com todas as atrizes e falaria: ‘Até onde você pode ir?’, ‘Até onde você quer ir?’, ‘E aqui acho que não tem necessidade de mostrar esse peito, de mostrar essa bunda...’. E assim a gente vai fazendo a cena. A gente pode contar todas as histórias sem expor ninguém. Essa é a grande verdade da vida da dramaturgia”, opinou Taís, durante uma live com Tiago Leonardo, do perfil Novela Xica da Silva HD.

Atualmente com 41 anos, Taís disse que é a favor de contar histórias sem precisar “deixar as mulheres peladas e desconfortáveis”.

“A gente não precisa expor o corpo das mulheres para contar história alguma. Para falar de uma mulher sexy, você não precisa deixar ela pelada, desconfortável. Porque, na verdade você não está mostrando essa mulher sexy. Você está causando no outro que está vendo outros sentimentos que não dizem respeito a essa mulher, dizem respeito a quem está vendo”, argumentou.

Na gravação, a atriz condenou o uso da nudez como arma para ganhar ibope:

“Eu posso mostrar que eu sou sexy vestida da cabeça aos pés. Eu posso mostrar que tenho poder pelada. Eu posso fazer o que eu quiser. Esse é o meu trabalho, eu estudei para isso. Agora eu tenho que estar de pleno acordo e me sentindo o mais confortável possível. O caso é que nessa época e em outras épocas o corpo da mulher sempre foi usado para ficar exposto, para subir o Ibope, para deixar a mulher exposta e constrangida. Ela foi usada a serviço do outro, um corpo usado a serviço do outro. Isso é muito cruel. Tem que ser revisto mesmo, de maneira muito séria (...) A gente pode contar qualquer história sem expor ninguém”, declarou.

Ao final, Taís contou que tem orgulho da personagem, e que carrega em seu coração todas as memórias do trabalho: “Eu guardo dentro do meu coração todos os momentos e todas as pessoas que passaram pela minha vida. Todas elas (...) E é a personagem da minha vida. Ela é transformadora”, completou.

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