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Paula Picarelli, de Mulheres Apaixonadas, lembra trauma por causa de seita religiosa: “Trouxe vários conflitos”

Paula Picarelli (à direita), com Alinne Moraes, nos bastidores de Mulheres Apaixonadas, e em foto atual
Paula Picarelli (à direita), com Alinne Moraes, nos bastidores de Mulheres Apaixonadas, e em foto atual - Foto: Divulgação/ TV Globo e Reprodução/ Instagram

Redação Publicado em 10/09/2020, às 07h18

Intérprete de Rafa na novela Mulheres Apaixonadas, Paula Picarelli contou que o período em que atuou no folhetim “foi um dos mais conturbados de sua vida” e que fazia parte de uma seita religiosa que trouxe vários conflitos.

“Durante uns bons anos, lembrar daquela fase (em 2003, época da novela) era um peso. Eu me sentia sozinha, não conhecia ninguém e fazia parte de uma seita religiosa que me trazia vários conflitos. Hoje, já consigo entender melhor os processos pelos quais passei”, explicou ela, à coluna de Patrícia Kogut, do jornal O Globo.

“O período foi muito difícil para mim e, pela primeira vez, estou podendo curtir (a reprise da novela no canal Viva) como deveria ter feito. Estava vivendo muitas coisas erradas, que me deixavam angustiada. Eu tinha me formado em Artes Cênicas e, na faculdade, era muito mimada. Tudo o que fazia era elogiado, diziam que eu era a cerejinha do bolo. Por isso, tinha uma certa arrogância e achava que, por vir do teatro, a novela ia ser fácil. Mas caí do cavalo. Não tinha as ferramentas necessárias para fazer TV e ficava insegura. Agora, assistindo de novo, estou achando tudo bem ok. Minha memória me dizia que era bem ruim”, ponderou.

À publicação, Paula disse ainda que esperava que o livro Seita - O Dia em que Entrei Para um Culto Religioso, escrito por ela e lançado em 2018, ajudaria a esquecer tudo o que passou, mas não foi bem assim que aconteceu.

“Demorei a conseguir falar sobre isso. Foram oito anos desde que saí da seita até eu decidir escrever o livro. Pensava que era uma porta que tinha fechado e não queria olhar para trás. Mas, depois, comecei a pensar na responsabilidade que eu tinha. Sabia que ainda havia muita gente na mesma situação que eu. Ficava aflita ao ouvir histórias de práticas que continuavam ocorrendo com pessoas que se envolvem com esse tipo de culto. Me angustiava também o fato de termos no governo uma religião se impondo e querendo determinar comportamentos e regras. Por isso tudo, senti que tinha que dividir essa experiência. Apesar de o livro ser uma ficção, o sentimento ali presente é verdadeiro”, revelou.

“É engraçado, eu achava que ia me livrar dessa história depois do livro, mas ainda está tudo em mim de algum jeito. Tenho lido a obra de uma psicóloga norte-americana que fala especificamente de traumas religiosos. Ela diz que as pessoas que passam por isso têm um quadro parecido com a síndrome do estresse pós-traumático. Acho que é por aí mesmo”, continuou.

Na novela, Rafa, personagem e Paula, é par romântico de Clara (Alinne Moraes). A trama, segundo ela, ajudou a seguir adiante.

“Era um momento bem louco da minha vida, mas o que me segurava era o fato de as personagens serem homossexuais. Eu achava aquilo uma coisa muito legal. A história toda foi marcante. Nós tivemos uma resposta positiva do público. Então, apesar de tudo, eu sabia o quanto aquilo era importante e que tínhamos uma responsabilidade grande”, ressaltou.

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