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Nick Cruz fala sobre transfobia e diz que quer fazer mastectomia: “Sonho em ir à praia sem camisa”

Cantor acaba de lançar o videoclipe Sol no Peito

Nick Cruz ainda criança, na capa de seu novo single, e em foto atual
Nick Cruz ainda criança, na capa de seu novo single, e em foto atual - Foto: Reprodução/ Instagram@nickcruz

Redação Publicado em 01/06/2021, às 05h18

O cantor Nick Cruz, de 22 anos, que há um ano e meio iniciou sua transição de gênero, contou que planeja fazer uma mastectomia (cirurgia de retirada dos seios). A cirurgia, de acordo com o capixaba, o ajudaria a realizar um sonho antigo: o de ir à praia sem camisa.

“Quero muito fazer a mastectomia, mas não é uma coisa que me sufoca. Tenho paciência e vou esperar o tempo certo. Nunca experimentei ir à praia sem camisa. Tenho muita vontade”, disse ele, ao jornal Extra.

Na última sexta-feira (28/05), Nick lançou o videoclipe de Sol no Peito, em que aborda a transfobia sofrida por ele e incontáveis transexuais mundo afora. 

“É um sonho, como eu mostro no clipe: a regata branca que não vai ‘marcar o baile’, porque a gente sempre está se sentindo ameaçado, pensando: ‘será que aquele cara vai perceber que eu sou trans?’. ‘Será que vai acontecer alguma coisa?’. A gente sempre está sujeito a essas situações, que de fato acontecem”, continuou.

À publicação, Nick revelou, que apesar de pensar na cirurgia, não fica incomodado com seus seios.

“Os seios não me incomodam. Tem um vídeo de um garoto trans cadeirante, que ele passa pela mastectomia e fala assim: ‘Eu fiz uma despedida para os meus seios, porque é uma parte de mim, estou me mutilando. É uma pena, porque eu sou feliz com ele, mas a sociedade ainda não está preparada para olhar um homem com seios na praia, livre’. Então, acaba que muitas das vezes, a gente está procurando um padrão de aceitação, não que esse seja o meu caso ou de outras pessoas, mas a gente é, sim, muito influenciado pela questão da pressão social”, ressaltou.

Além da mudança estética, Nick também pretende mudar o gênero em seus documentos.

“Como eu vejo tudo como uma construção social, não é algo que me incomoda. Eu quero, é um desejo, mas não tenho essa pressa de dizer que quero logo ou que odeio que as pessoas me chamem de Nicole, não é isso”, explicou, contando que fazer a transição é algo difícil.

“Já tentei fazer pelo SUS da minha cidade, que é uma cidade pequena, e não tive sucesso. É praticamente impossível. Fiz a minha transição, tomando testosterona, parando e voltando, com grana, sem grana, por um ano e meio. É um processo bem longo. E se você não tem emprego para ganhar dinheiro e pagar, fica ainda mais difícil”, continuou.

Para a capa do single, o artista escolheu uma foto de quando era criança.

“Quero, com esse clipe, passar muita representativa, porque eu sei que isso muda a vida da gente. Eu, enquanto artista trans, não tive um pilar para me inspirar 100% e passei por muitas questões sozinho. Hoje, inclusive, recebo muitas mensagens de meninos trans que estão iniciando o processo de transição e dizendo que essa música foi muito importante para saber que ele não está sozinho. A identificação com a música salva vidas. Nós somos uma minoria, mas uma minoria composta por milhões de pessoas trans. Então, a gente precisa dar as mãos e se mostrar e cada vez. A gente precisa se acolher”, completou.

 
 
 
 
 
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