TECNOLOGIA

As criptomoedas chegam as universidades brasileiras

Foto: Pixabay
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Redação Publicado em 16/04/2025, às 17h26

A popularidade do Bitcoin e de outros criptoativos está impulsionando o mercado financeiro. Esses projetos inovadores já conquistaram o coração de muitos brasileiros, dando de pessoas físicas quanto de empresas de diferentes setores. A novidade agora é a chegada desses ativos na grade curricular de diversas instituições de ensino superior no Brasil.

A Universidade de Brasília, por exemplo, recentemente abriu matrículas para uma nova disciplina sobre o maior criptoativo do mundo, sinalizando uma grande mudança na forma como as universidades encaram esse fenômeno. E, claro, como pretendem preparar os profissionais para esse mercado.

Enquanto muitos brasileiros já aderiram às carteiras digitais e realizam transações diárias em criptomoedas, o meio acadêmico busca acompanhar essas inovações, formando profissionais aptos a explorar as inúmeras possibilidades tecnológicas e econômicas. Talvez, os pré-lançamentos de criptomoedas em 2025 já se beneficiem dessa iniciativa.

Com um público com maior conhecido sobre esses ativos, as moedas digitais podem conquistar mais espaço. E essa aproximação entre o acadêmico e o tecnológico é um reflexo da situação do país. Estimativas do Banco Central apontam que se movimenta mais de R$ 200 bilhões em criptomoedas por ano no Brasil.

O crescimento do interesse em criptomoedas no Brasil

De acordo com dados divulgados pela Receita Federal, o número de pessoas que declararam possuir criptoativos já passou de 10 milhões. Isso pode ser explicado pelo cenário econômico brasileiro que passou e passa por muitas mudanças. A oscilações na taxa de câmbio e a busca por maior diversificação de investimentos são exemplos.

Sendo assim, as criptomoedas são uma alternativa atraente, tanto pelo potencial de valorização quanto pela tecnologia que as sustenta. Ainda que grande parte do foco midiático esteja nos principais ativos, como BTC e ETH, outros projetos despertam a atenção de pessoas para oportunidades em soluções inovadoras baseadas em blockchain.

Por outro lado, essa procura cada vez maior por novos criptoativos também levanta questões sobre regulamentação, segurança digital e perfil de risco. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central do Brasil têm discutido com mais frequência como encaixar as criptomoedas dentro do marco regulatório existente.

E com esses debates avançando, a comunidade acadêmica percebe a necessidade de fornecer ferramentas para que estudantes e futuros profissionais entendam e atuem nesse ambiente em evolução. A Universidade de Brasília (UnB) é apenas um dos exemplos de instituições que vêm introduzindo matérias relacionadas a blockchain, criptomoedas e tecnologias associadas.

O curso “Bitcoin – aspectos técnicos e implementação do protocolo”, ministrado por um professor da faculdade de tecnologia em parceria com uma organização sem fins lucrativos, reflete essa tendência de pesquisa e ensino que já está presente em outras instituições do país.

Faculdades renomadas, como a Fundação Getulio Vargas (FGV) e a FMU, também já possuem disciplinas e até cursos de tecnólogo dedicados ao estudo de blockchain e criptografia. As formações abrangem tópicos como segurança de rede, análise de protocolos, desenvolvimento de aplicativos descentralizados e estratégias de mercado.

Esses programas não apenas atendem à demanda por mão de obra especializada, mas também colaboram para o avanço das pesquisas científicas no setor de criptoativos no Brasil. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), a quantidade de cursos voltados para a área de tecnologia e inovação tem crescido a cada ano.

Isso inclui especializações com foco direto em criptoeconomia. Essa tendência reflete a necessidade de preparar os alunos para uma realidade profissional que já não se restringe às carreiras convencionais. Hoje, empresas de todos os portes, de startups a multinacionais, buscam profissionais que compreendam os fundamentos da tecnologia blockchain, das finanças descentralizadas e da programação para contratos inteligentes.

Avanço tecnológico e pesquisa nos cursos de criptomoedas

O ambiente universitário funciona como um espaço de inovação, onde novos projetos podem ser testados e discutidos com maior liberdade. Laboratórios de pesquisa em engenharia elétrica, ciência da computação e administração estão se tornando “berços” de soluções em blockchain.

Testando aplicações que podem facilitar, por exemplo, processos de votação eletrônica, registros de patentes e até a eficiência em cadeias de suprimentos. Na UnB, a recém-criada disciplina sobre Bitcoin prevê o envolvimento prático dos estudantes em projetos pilotos, permitindo que experimentem a implementação de ferramentas open-source e entendam na prática como os blocos de transações são validados.

Além disso, pesquisadores exploram como essa tecnologia pode impactar positivamente setores públicos, como saúde e educação, otimizando registros e autenticando documentos de forma mais segura. Há ainda colaborações entre universidades, empresas e órgãos de fomento que resultam em bolsas de pesquisa e projetos de extensão.

Esses acordos vão além do conteúdo em sala de aula, promovendo eventos e palestras que reúnem desenvolvedores, investidores, gestores públicos e outros profissionais do ecossistema cripto. Em muitos casos, esses encontros se tornam palco para trocas de informações sobre novos projetos, fomentando ainda mais o surgimento de ideias e oportunidades de negócio na área.