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Ludmilla desabafa sobre racismo em sua carreira: "Tive que me mutilar, afinar meu nariz"

Cantora deu entrevista à Folha de São Paulo

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Reprodução/Instagram@ludmilla

Redação Publicado em 19/04/2021, às 13h39

Em entrevista à Folha de São Paulo, Ludmilla relembrou os momentos em que o racismo influenciou sua carreira. Um deles foi quando a socialite Val Marchiori - que havia sido condenada a pagar indenização à cantora por comparar seus cabelos com palha de aço - entrou com recurso e foi absolvida, tendo seu comentário classificado como "liberdade de expressão".

"Foi muito triste, ainda mais vindo de uma pessoa que deveria estar ali protegendo os brasileiros, preservando e conservando uma luta que vem de anos. E, talvez, fazendo uma reparação que é histórica, porque o racismo estrutural é histórico. Senti que a gente andou uns anos para trás, porque olha quantas pessoas se sentiram fortes depois da decisão de falar que aquilo é liberdade de expressão. Ela [Val Marchiori] comemorou em vídeos nos stories, tomou champanhe. Outras pessoas se sentem fortes para comparar nossos cabelos com Bombril".

Em sua apresentação no BBB 21, Ludmilla usou seu espaço de fala para defender João Luiz, que teve seu cabelo comparado a uma peruca de homem das cavernas, usada como castigo no reality: "Pessoas perderam empregos e oportunidades porque outras acharam que o nosso cabelo, por ser crespo, é parecido com uma coisa suja, fedida, ruim. Isso não é uma brincadeira, não é liberdade de expressão. Acontecer isso comigo só deixa mais claro que o racismo existe. Porque a fama e o poder não me livraram do racismo. Imagina o que acontece com pessoas que não têm a visibilidade que eu tenho. A decisão do juiz causa dor, raiva e cansaço".

Após sua apresentação, Lud foi acusada de levar informações externas para os participantes do reality: "Não tenho nenhum pingo de consciência pesada. Claro que só o João Luiz e a Camilla de Lucas se sentiriam representados, porque eles passaram por isso. Do resto, ninguém entendeu nada. Estava falando da Val Marchiori. O racista não quer entender a dor do outro. Ele tenta reverter para ele, em vez de parar e escutar a nossa dor".

Ela também falou sobre as plásticas que fez para ser aceita: "Eu era a MC Beyoncé lá atrás. Tem alguma propaganda com a MC Beyoncé? Não tem! Porque eu não era padrão. Não era aceita. Nenhuma marca queria ser representada pela MC Beyoncé. Por isso, tive que me mutilar, afinar meu nariz, porque queria ser aceita".

Lud se justificou por não ter se posicionado nas eleições de 2018, dizendo que não entendia o suficiente de política: "Vivemos numa democracia, a galera tem que fazer o que tem vontade. Só que chegou num ponto em que é muito importante conversar sobre o assunto. Olha o que aconteceu. Somos um dos últimos países a receber a vacina. Estamos parados. Então serviu para eu me interessar sobre o assunto. Não quero mais estar nessa de 'não sei'. A gente não pode mais ficar nisso. Tem que ir para cima. O governo atual é péssimo. Estamos numa situação muito precária".

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