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Juliana Caldas critica infantilização de mulheres com nanismo: “A gente usa sutiã e fio-dental”

Juliana Caldas participou com sucesso da novela O Outro Lado do Paraíso
Juliana Caldas participou com sucesso da novela O Outro Lado do Paraíso - Foto: Reprodução / Instagram@juzinha.caldas

Redação Publicado em 15/12/2020, às 08h21

Por causa da pandemia do novo coronavírus, a atriz Juliana Caldas precisou adiar um trabalho que faria no teatro neste ano. Ela, que estreou na televisão na novela O Outro Lado do Paraíso, aproveitou o momento para investir em outra área: a de palestrante.

"Desde quando eu comecei a trabalhar com teatro, antes da novela, as pessoas falavam para eu pensar em algo do tipo. Mas nunca foi minha ideia principal. Meu pensamento era fazer algo diferente e ajudar a entenderem as questões das pessoas com nanismo", afirmou a atriz em entrevista à coluna de Patrícia Kogut, do jornal O Globo.

 
 
 
 
 
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Ela continuou: "Há três anos, depois do meu trabalho na TV, comecei a pesquisar de que forma eu poderia me dedicar. Montei algumas palestras em formatos diferentes, comecei a estruturar. Aí veio a pandemia. Presencialmente, ainda não consegui realizar, mas recentemente participei de um congresso on-line, 'Genética não é destino'. Conseguimos juntar médicos, especialistas, educadores... Recebo muitas mensagens agradecendo por esse tipo de informação, por falarmos sobre acolhimento", explicou.

Segundo Juliana, que tem 31 anos atualmente, a intenção é inspirar as pessoas. "Nas palestras que montei, eu conto os desafios da minha vida, como foi crescer na família que cresci, como enfrentei este mundo cruel. Tive a sorte de ter pessoas do meu lado que me incentivaram a nunca desistir. É importante empoderar não só os deficientes, mas também pessoas que estão desencorajadas por algum motivo".

A atriz comentou sobre sua participação em um evento que discutia moda para a diversidade. De acordo com ela, é muito difícil encontrar roupas que seguem as tendências para seu corpo.

"Pessoas com nanismo são infantilizadas sempre: em roupas, em lingerie. Nunca houve uma propaganda de uma mulher com nanismo usando uma lingerie. A gente usa sutiã, sutiã com bojo, fio dental, tudo. Temos corpos de mulheres: peito, bunda e muita bunda. Se nós mesmas não nos incentivamos, o mundo não vai fazer isso", frisou.

Inclusão

Recentemente, Juliana usou seu Instagram para mostrar um kit de maquiagens que recebeu de presente. Dessa forma, começou uma espécie de diálogo com o mercado de beleza.

"É tão bom eu me sentir incluída. Eu sinto que, quando isso acontece, as pessoas podem me ver como uma mulher num referencial de beleza. Em relação a corpos fora do padrão, a nossa sociedade evoluiu, mas meu padrão de beleza sou eu. Quando estou leve e bem-resolvida, é prazeroso viver. Entendi que a cobrança que o mundo faz eu não vou pegar para mim", destacou.

Para ela, a arte serve como um instrumento para conscientizar as pessoas sobre sua condição -- e por isso mesmo, deseja voltar a atuar assim que a cultura for retomada, depois da pandemia.

"Tenho estudado formas de atuação e lido bastante. Mas, além da peça que ia estrear, não tenho outras propostas de trabalho", comentou.

Juliana mora com o irmão, Fernando, de 33 anos, e diz que ganha um dinheiro a mais alugando as vagas de carro no condomínio onde mora. "Grande parte das contas está com ele, mas eu tinha uma reserva destes anos de trabalho. Como não tenho carro, alugo duas garagens e entra um dinheirinho a mais. Ter menos um salário faz diferença", disse.

Por fim, falou sobre sua vida afetiva: "Está parada! Antes da pandemia, eu já estava "de boa" em relação a isso. A gente precisa de uma vacina. O que me deixa para baixo de vez em quando é não poder ir encontrar os amigos".

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