EDUARDO GRABOSKI

De Deborah Secco a Deborah Hidratada: a era dos fandoms chegou à publicidade (e não é exagero)

Deborah Secco adota novo sobrenome para campanha publicitária - Foto: Divulgação
Deborah Secco adota novo sobrenome para campanha publicitária - Foto: Divulgação
Eduardo Graboski

por Eduardo Graboski

Publicado em 15/07/2025, às 10h29

O brasileiro é fã. Fã mesmo. De novela, de reality, de futebol, de casal famoso, de cantor cancelado, de celebridade ressuscitada. Fã que defende, que briga, que engaja, que compra, que transforma tudo em trending topic. Por aqui, tudo vira motivo para amar com intensidade — inclusive, agora, um bom creme hidratante.

É exatamente nesse território emocional que a CeraVe – marca de cosméticos – mergulhou com sua nova campanha estrelada por Deborah Secco, que, para surpresa geral, decidiu adotar um novo “sobrenome” e agora é Deborah Hidratada

Pode parecer uma piada publicitária à primeira vista — e talvez seja mesmo —, mas por trás do meme está um insight poderoso: se o público ama com intensidade, por que não amar também o próprio autocuidado? A ideia é transformar o autocuidado em uma paixão nacional, com direito a fã-clube, memes e hashtag oficial.



A estratégia vai além da brincadeira. Com forte presença nas redes sociais e na mídia, a campanha #HidratadosComCeraVe inaugura uma nova fase na publicidade: a da marca que quer ter fãs, não apenas consumidores.

E tem funcionado. A lógica do fandom é simples, mas poderosa. Um fã não apenas compra, ele compartilha, defende, cria conteúdo, se identifica e se sente parte de algo maior. Marcas que entendem isso — e entregam algo além do produto — têm hoje uma vantagem brutal na guerra pela atenção.

Nos anos 2000, bastava um bom jingle ou uma atriz global segurando o creme para vender. Em 2025, isso não basta. O público quer narrativa, pertencimento, humor e causa. Quer se ver na campanha, rir junto, entrar na trend, virar tag, se conectar com a garota-propaganda. 

A cultura do entretenimento engoliu a lógica tradicional da propaganda. E quem não entender isso, vai continuar falando sozinho. Em tempos de inteligência artificial e muita informação, a conexão entre marca, artista e público continua sendo o recurso mais poderoso.

Deborah Secco sempre foi camaleônica, mas agora virou também símbolo de uma nova publicidade: leve, afetiva e culturalmente antenada. Ao assumir o “sobrenome Hidratada”, ela empresta seu carisma para algo maior — um manifesto velado de que se cuidar é também um ato pop.

O brasileiro já foi fã de cigarro, de cerveja, de refrigerante. Hoje, talvez esteja pronto para ser fã da própria pele. Ou, no mínimo, de campanhas que o tratem como parte do show.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CENAPOP.