
por Eduardo Graboski
Publicado em 08/07/2025, às 10h06
Domingo à noite, depois de um Fantástico sério, cheio de denúncias, entrevistas e jornalismo pesado, o que a gente quer? Um respiro. Um alívio. E foi exatamente isso que a Globo entregou com a estreia de Aberto ao Público, novo programa humorístico que entrou no ar nesse domingo, ocupando um espaço que há tempos merecia ser reanimado com boas risadas.
Ponto para a Globo por entender que o domingo à noite não precisa acabar triste. A escolha de colocar um programa de humor nesse horário foi certeira. Ajuda a encerrar o fim de semana com leveza e ainda dá aquele empurrãozinho de ânimo para começar a semana com outro espírito.
Mas vamos ao programa em si: sim, há um time de humoristas talentosos ali. Sim, o clima descontraído e os quadros de improviso, com interações do público, funcionam para a proposta. Mas sejamos honestos: o show é de Maurício Meirelles. Ele não apenas apresenta Aberto ao Público — ele é o programa.
Os quadros, o tipo de humor, os cortes de câmera e até os GCs (aquelas legendas com comentários irônicos ou chamadas engraçados) remetem diretamente ao Foi Mau, programa que Meirelles comandou na RedeTV!. Aliás, Aberto ao Público poderia tranquilamente ser um "Foi Mau Reloaded", agora com a assinatura, verba e o alcance da Globo.
É claro que isso não é um problema — pelo contrário. Maurício tem um estilo muito próprio de fazer humor: direto, ácido, observador e sempre muito consciente da plateia. O público que já acompanhava seus stand-ups e projetos anteriores reconhece a essência. Os que estão conhecendo agora, pela TV aberta, têm boas chances de se tornar fãs.
Os demais humoristas acabam orbitando em torno da condução dele. São coadjuvantes e dispensáveis com piada bobas e sem graça. Talvez porque pensem muito na imagem, no cancelamento ou coisa do tipo. Não que faltem talento ou carisma nos outros nomes, mas a estrutura é tão pensada em torno do apresentador, que os demais funcionam mais como apoio do que como destaques individuais.
No geral, a aposta é válida e promissora. Depois de um período em que o humor parecia deixado de lado nas grandes produções da TV aberta, é animador ver a Globo investindo de novo nesse território. E melhor ainda: dando espaço para um formato que foge do óbvio, que não depende de piadas batidas ou personagens caricatos para funcionar.
Aberto ao Público chega para provar que ainda há espaço (e necessidade!) de programas que nos façam rir de maneira inteligente, com cara de internet, mas embasado na força da TV. E se a Globo seguir esse caminho — de misturar ousadia com identidade —, pode ter achado uma nova mina de ouro para o seu domingo à noite.
Se a proposta era dar leveza ao fim do domingo e abrir a semana com uma boa dose de riso, ponto alcançado. E se a ideia era mostrar que Maurício Meirelles está no comando de um formato que respira sua essência, missão cumprida também.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CENAPOP.
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