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Crítica | A Linha, produção brasileira de VR premiado no Festival de Veneza, é incrivelmente belo e emocionante

Crítica | A Linha, produção brasileira de VR, é incrivelmente belo e emocionante
Crítica | A Linha, produção brasileira de VR, é incrivelmente belo e emocionante - Foto: Reprodução/Voyager

Redação Publicado em 13/02/2020, às 19h20 - Atualizado às 19h23

O cinema está sempre mudando. Todos os anos, cineastas e técnicos procuram novas formas de contar histórias que mexam com o público de forma singular. Evidentemente nem todos conseguem, mas quando dá certo, o resultado é impressionante.

No Brasil, o curta-metragem A Linha, dirigido por Ricardo Laganaro, consegue um feito espetacular: ao contrário de outras produções feitas para o VR (Virtual Reality, ou seja, realidade virtual), a produção não procura se gabar apenas de seu feito técnico, contando uma história universal, que pode atingir qualquer público, em qualquer idade.

No filme conhecemos os dois personagens centrais dessa história: Rosa e Pedro, dois bonecos que vivem em uma maquete inspirada na São Paulo dos anos 40. Pedro é apaixonado por Rosa, mas tem medo de se declarar para ela. Apesar disso, deixa sempre uma flor amarela na porta de sua casa.

O desenvolvimento parece simples, mas há uma profundidade e sensibilidade incríveis no roteiro, desenvolvido por Laganaro juntamente com a equipe do estúdio ARVORE, do qual é sócio. O conto de amor entre Rosa e Pedro escondem, sob a superfície tranquila, mensagens profundas e que podem ser compreendidas por todos.

 

Inspirado na Pixar

Com inspiração assumida nos filmes da Pixar – que também trazem mensagens por baixo de um enredo simples – A Linha alcança um resultado profundamente belo, que ao mesmo tempo é emocionante, ajudada pela narração (em inglês, de Rodrigo Santoro; em português, Simone Kliass.

Como os bonecos não possuem falas, toda a emoção é transmitida a partir da movimentação de seus corpos. Acompanhamos, nos 13 minutos de duração, os altos e baixos da história de amor entre os dois bonecos – e claro, em se tratando de uma experiência VR, permite que nós possamos participar da movimentação do enredo de forma contundente.

Tecnicamente, o feito que Laganaro e sua equipe conseguiram em A Linha é ainda mais impressionante. Os efeitos são tão imersivos que, com pouco tempo, esquecemos do capacete necessário para assistir ao curta e entramos na história de corpo e alma. O design é lindo, remetendo ao ferromodelismo com fidelidade absoluta. Paisagens paulistanas são facilmente reconhecíveis, como o Banespão e o Pico do Jaraguá.

 

Profundamente emocionante

Os prêmios que A Linha recebeu no último ano – incluindo Melhor Experiência Interativa no 76º Festival Internacional de Cinema de Veneza, um dos mais importantes do mundo – fazem jus ao que ele representa: um filme sensível e de beleza ímpar, com a história sendo contada de forma orgânica e fluida. Um resultado dessa magnitude é difícil de conseguir em um trabalho feito nos moldes tradicionais, mais ainda com uma técnica tão trabalhosa quanto o VR.

O curta é histórico, tanto no sentido cinematográfico (por aliar a técnica a um enredo vigoroso e que toca o coração das pessoas) quanto técnico (pois mostra que o Brasil tem talentos capazes de criar, no audiovisual, uma mágica inesquecível).

Em resumo: A Linha é mais que um filme, é uma experiência imperdível, que pode fazer com que o espectador saia, ao fim da sessão, com olhos marejados, tamanha é a força da história de Pedro e Rosa. É a prova de que o cinema está mesmo mudando – para melhor.

Onde assistir ao filme:

Voyager JK Iguatemi

Dias e horários: De segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingo, das 11h às 22h

Onde: Av. Pres. Juscelino Kubitscheck, 2041 – 3º piso – Vila Olímpia

Idade: acima de 10 anos

Voyager Pátio Batel:

Dias e horários: De segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingo, das 11h às 22h

Onde: Shopping Patio Batel – Loja 415 – Piso L4 (Av. do Batel, 1868 – Batel – Curitiba/PR – 80420-090)

Idade: acima de 10 anos

Veja o teaser:

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