Carolina Ferraz foi para às ruas montada e ouviu 62 travestis para filme

Carolina Ferraz como Glória, em cena de A Graça e a Glória – Foto: Divulgação

Aos 49 anos, Carolina Ferraz viu no filme A Glória e a Graça, que chega aos cinemas de todo o Brasil nesta quinta-feira (30), a chance de se libertar como atriz.

Com uma carreira consolidada, a atriz foi à luta e trabalhou duro nos bastidores para ganhar o papel de protagonista no filme dirigido por Flávio Tambellini.

Após dez anos entre idealização, preparação e realização, as filmagens começaram em um período conturbado; ela havia dado à luz Isabela (com 4 meses), que estava em período de amamentação.

Com dez quilos acima do peso, ela foi à campo. Passou por uma transformação para a personagem, incluindo treino para transformar a voz, peruca e prótese dentária.

Apesar de todas as dificuldades, as transformações ajudaram Carolina Ferraz se libertar como atriz, segundo ela mesmo revelou ao jornal Extra:

Na trama, Glória (Carolina Ferraz) recebe a missão de cuidar dos sobrinhos – Foto: Divulgação

“Eu queria que as pessoas olhassem a Glória e não vissem a Carolina Ferraz. Também quis me libertar e ser só uma artista. A impostação de voz, aqueles peitos de alpiste que me fizeram passar um calor danado (risos)… Tudo eu desejei. Pedi para fazer a travesti porque me apaixonei por ela e fui à luta. Ninguém me daria essa personagem. Estou vivendo um momento mais maduro como artista, como ser humano”, comemorou.

Na trama, Gloria é uma bem-sucedida dona de restaurante. Sem contato com a família, ela recebe a visita de a irmã, Graça (Sandra Corveloni), que até então não sabia que ela não era mais Luiz Carlos, e descobre que terá que cuidar dos sobrinhos.

À publicação, Carolina disse que tomou todo o cuidado para que a personagem passasse veracidade. Para entender como se comporta uma travesti, ela se montou, foi para a rua por duas noites, e ouviu 62 travestis:

“Por duas noites, eu estava acompanhada de duas travestis que me produziram. A grande maioria, infelizmente, por falta de opção, estava se prostituindo. A sociedade é muito preconceituosa. Foi difícil, mas foi muito bom vivenciar tudo aquilo. Fui para tentar entender — é claro que não tenho noção da dimensão — mas procurei, com toda sinceridade, ser verdadeira e construir uma história bonita. Essa era a minha vontade como artista. O filme fala de amor, de segunda chance, é leve e tem humor”, contou.

Antes de conseguir dar vida à personagem homossexual, a atriz diz ter levado muitos “nãos”, e revelou ainda ter sido vítima de comentários preconceituosos.

“A gente não conseguia dinheiro. Eu cheguei a escutar de vários executivos: ‘Carolina, você é tão bonitinha, não faz uma personagem dessa. Não se associe a esse tipo de imagem’. Mas isso nunca me paralisou porque eu nunca duvidei do meu desejo de contar essa história”, completou.

Dirigido por Flávio Ramos Tambellini, o filme traz no elenco Sandra Corveloni (Graça), Carolina Ferraz (Gloria), Sofia Marques (Papoula), Vicente Kato (Moreno) Cesar Mello (Otávio) e Carol Marra (Fedra).

A Glória e a Graça chega aos cinemas nesta quinta-feira (30/03).

Carolina Ferraz ouviu 62 travestis para o papel – Foto: Divulgação

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