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Regulação emocional: a nova fronteira da saúde mental

Psicóloga Elisa Pereira revela como a regulação emocional pode transformar a forma de lidar com ansiedade, estresse e depressão, promovendo equilíbrio entre corpo, mente e emoções.

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por Zoom Pop

Publicado em 06/11/2025, às 01h47

Em uma era em que os diagnósticos de ansiedade, estresse e depressão se tornaram parte do vocabulário cotidiano, cresce um novo desafio: o de lidar com as próprias emoções. A psicóloga Elisa Pereira, especialista em psicoterapia corporal, explica que o verdadeiro equilíbrio psíquico não está em evitar o que sentimos, mas em aprender a regular as emoções uma habilidade essencial para a saúde mental do futuro.

O que significa regular as emoções

Segundo Elisa, regular não é reprimir nem controlar. É reconhecer, compreender e modular o que sentimos, sem negar, mas também sem ser engolido pela intensidade da emoção.

“Na prática, é perceber quando a raiva sobe antes de explodir, respirar quando o medo paralisa e acolher a tristeza sem se afogar nela. É a capacidade de voltar ao centro depois do impacto”, explica a psicóloga.

Essa competência emocional, contudo, não nasce pronta. Muitas pessoas cresceram ouvindo frases como “engole o choro” ou “não faz drama”, o que as ensinou a desconectar o corpo das emoções. “Quando o corpo não pode expressar o que sente, ele adoece”, afirma Elisa.

O preço da desregulação emocional

A desregulação emocional, de acordo com a especialista, nem sempre aparece em crises intensas. Ela pode se manifestar em sintomas sutis, como irritabilidade constante, cansaço crônico, insônia, compulsões e dores sem causa aparente.

“O corpo fala o que a emoção não encontrou espaço para dizer”, reforça. Estudos apontam que boa parte dos quadros de ansiedade, burnout e depressão têm relação direta com a incapacidade de lidar com emoções intensas  o que não é sinal de fraqueza, mas falta de treino interno.

Corpo, emoção e mente: uma integração necessária

Elisa destaca que corpo e emoção são inseparáveis. Inspirando-se nos estudos de Wilhelm Reich e Alexander Lowen, pioneiros da psicologia corporal, ela lembra que o corpo guarda o histórico emocional de cada pessoa.

“O que chamamos de tensão muscular é, muitas vezes, a expressão física de emoções contidas. Por isso, regular emoções também envolve se reconectar com o corpo  respirar, alongar, se movimentar e sentir”, afirma.

A regulação emocional, segundo a psicóloga, é um processo integrativo: une o que pensamos, sentimos e manifestamos. “Ela não busca eliminar a emoção, mas dar-lhe passagem, para que não se transforme em sintoma”, explica.

A nova era da saúde mental

Durante décadas, o foco da psicologia e da psiquiatria esteve em eliminar sintomas. Hoje, a ciência entende que o caminho é ensinar o cérebro a se autorregular.

Pesquisas em neurociência mostram que praticar a regulação emocional fortalece as conexões entre o córtex pré-frontal e o sistema límbico, diminuindo a reatividade e aumentando a resiliência. “Isso significa que podemos aprender a não viver no modo sobrevivência”, diz Elisa.

Para ela, o futuro da saúde mental vai além dos diagnósticos e medicamentos: “Será sobre educação emocional, sobre ensinar as pessoas a compreenderem o que sentem e a responderem com consciência”.

Cuidar das emoções é cuidar da vida

Mais do que uma técnica, a regulação emocional é um ato de maturidade psíquica. “É dizer a si mesmo: ‘posso sentir tudo, mas não preciso ser levado por tudo que sinto’. Quando aprendemos isso, ganhamos liberdade interior”, conclui a psicóloga.

Elisa Pereira atua com psicologia clínica e desenvolvimento humano, é especialista em psicoterapia corporal, palestrante e pesquisadora das conexões entre corpo, emoção e sentido da vida.

Fonte

Elisa Pereira é Psicóloga Clínica há mais de 20 anos, especialista em Psicoterapia Corporal e Análise do Caráter, atendendo adultos, adolescentes e grupos. Atua também com mentoria de casais, unindo técnica e sensibilidade. Palestrante ativa, trabalha pelo fortalecimento emocional, autoconhecimento e qualidade de vida.

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