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Miss Copa do Mundo: “Parecia impossível”, diz modelo trans que vai representar a Arábia Saudita

Bruna Mendonça é a primeira trans na história do concurso Miss Copa do Mundo

Bruna Mendonça vai representar a Arábia Saudita no concurso Miss Copa do Mundo
Bruna Mendonça vai representar a Arábia Saudita no concurso Miss Copa do Mundo - Foto: Reprodução/ Instagram@bru_mendoncaofc
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por Zoom Pop

Publicado em 18/05/2026, às 09h47

A modelo e influenciadora brasileira Bruna Mendonça vai representar a Arábia Saudita no Miss Copa do Mundo, concurso de beleza inspirado no mundial de futebol. Ela é a primeira mulher trans a participar da competição.

A escolha chama atenção pelo contraste: Bruna vai representar um dos países mais conservadores do mundo em relação a pautas LGBTQIA+. Na Arábia Saudita, a identidade trans ainda é cercada por tabu, repressão e criminalização.

“Eu nem cogitei me inscrever. Achei que não seria aceita. O preconceito já tinha me eliminado antes mesmo de eu tentar”, afirmou Bruna.

Ela acrescentou: “Quando recebi o convite, não acreditei. Um fotógrafo amigo meu indicou meu nome para a organização e, logo no primeiro dia, eu disparei na votação [online]. Foi inesperado, uma surpresa. Ali me dei conta do meu potencial”, avisou.

Segundo Bruna, a faixa é uma forma de ocupar um espaço que, por muito tempo, parecia impossível. “Às vezes, o espaço que a gente achava que não existia precisa ser criado por alguém. Dessa vez, esse alguém fui eu”, disse. “É uma baita responsabilidade carregar essa faixa. É muito simbólico esse título”, comemorou.

Bruna iniciou sua transição aos 16 anos, com apoio da família. Antes do Miss Copa do Mundo, nunca havia participado de um concurso de beleza justamente por medo da discriminação. “Eu achava que uma mulher trans não seria levada a sério. Hoje me sinto abraçada, valorizada e reconhecida. Não quero tomar o espaço de nenhuma mulher, mas quero que o meu também seja respeitado”, pediu.

Segundo a organização, Bruna reforça a proposta de valorizar diferentes histórias, corpos e trajetórias dentro da competição. “Não existe nada mais corajoso do que ser quem você é em um mundo que ainda não está preparado para te receber. A Bruna não representa apenas uma faixa. Ela representa uma ruptura”, afirmou a organização.

Além disso, Bruna também quer usar o concurso como porta de entrada para o entretenimento. Fã de futebol, ela se define, sem cerimônia, como “maria-chuteira”. “Eu me assumo, sim”, brinca. “Gosto de futebol, gosto desse universo, já me envolvi com jogadores e tenho muita história para contar. O concurso tem tudo a ver comigo”, completou.

A final do Miss Copa do Mundo acontece em julho, em São Paulo.