Especialista explica por que muitas mulheres fortes acabam assumindo responsabilidades emocionais e práticas de um parceiro emocionalmente infantilizado, criando uma dinâmica desgastante dentro da relação.

por Zoom Pop
Publicado em 13/03/2026, às 21h34
Nos consultórios de terapia de casal, um padrão de relacionamento tem se tornado cada vez mais comum: mulheres fortes, independentes e batalhadoras que acabam assumindo praticamente todas as responsabilidades da relação, enquanto o parceiro demonstra comportamentos de imaturidade emocional.
De acordo com João Alexandre Borba, psicólogo especialista em terapia de casal e com mais de 20 anos de experiência na área, esse tipo de dinâmica cria um desequilíbrio profundo no relacionamento e pode levar a crises constantes.
Segundo o especialista, muitas vezes a mulher começa a orientar, organizar e conduzir a vida do parceiro sem perceber que está assumindo um papel que vai além da parceria.
“Ela passa a resolver problemas, orientar decisões e assumir responsabilidades que deveriam ser compartilhadas. Aos poucos, deixa de ocupar o lugar de companheira e entra em uma posição maternal dentro da relação”, explica.
Quando o parceiro passa a ocupar o lugar de “filho”
Nessa dinâmica, o homem frequentemente apresenta comportamentos de imaturidade emocional, como dificuldade em assumir responsabilidades, procrastinação e criação de grandes planos que raramente se concretizam.
Enquanto isso, a mulher passa a assumir o controle da organização da vida do casal, muitas vezes sendo também a principal responsável pelo sustento financeiro da casa.
Segundo Borba, esse movimento gera uma relação desequilibrada, onde a parceria entre dois adultos dá lugar a uma dinâmica semelhante à de mãe e filho.
O desgaste emocional dentro do relacionamento
Com o passar do tempo, essa estrutura emocional costuma gerar um grande desgaste.
Muitas mulheres chegam à terapia relatando exaustão, frustração e a sensação de estarem sozinhas dentro do próprio relacionamento.
“Elas se sentem sobrecarregadas porque precisam conduzir praticamente tudo. Ao mesmo tempo, o parceiro também pode se sentir pressionado e incapaz de corresponder às expectativas”, afirma o psicólogo.
Por que é tão difícil terminar
Mesmo diante do desgaste, muitas mulheres encontram dificuldade para encerrar o relacionamento.
De acordo com João Alexandre Borba, isso acontece porque, inconscientemente, elas passam a enxergar o parceiro como alguém que depende delas emocionalmente.
“Quando ela pensa em terminar, muitas vezes sente como se estivesse abandonando alguém que precisa dela. Não parece apenas o fim de um relacionamento, mas quase uma sensação de abandono, porque inconscientemente ele passou a ocupar uma posição semelhante à de um filho dentro da dinâmica da relação”, explica.
Crises e conflitos constantes
Relacionamentos que seguem esse padrão costumam chegar à terapia em momentos de crise intensa, muitas vezes marcados por discussões frequentes, desgaste emocional profundo, ciclos de término e reconciliação e, em alguns casos, episódios de traição.
Segundo o especialista, a solução passa por reorganizar os papéis dentro da relação.
“O processo terapêutico ajuda cada um a entender seu lugar no relacionamento, restaurando o equilíbrio entre autonomia, responsabilidade e parceria”, conclui.
Sobre o especialista
João busca alinhar o casal dentro dos seus valores e objetivos em comum, facilitando o diálogo, ajudando o casal a compreender as diferenças de personalidade e a respeitarem a individualidade de cada um. Em seu Instagram, onde reúne mais de 204 mil seguidores, @joaoalexandre.borba compartilha dicas e conteúdos voltados a relacionamentos e desenvolvimento emocional, ajudando diariamente seu público a construir relações mais saudáveis.
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