Entre campanhas, eventos e produção de conteúdo, artisra defende uma presença cada vez mais natural de pessoas negras em espaços de destaque

por Zoom Pop
Publicado em 31/07/2026, às 20h00 - Atualizado às 20h05
Com uma comunidade de mais de 117 mil seguidores no Instagram, Moisés Lopes vem consolidando uma trajetória que ultrapassa o universo das redes sociais. Entre campanhas publicitárias, trabalhos no mercado da moda, eventos e produção de conteúdo, o influenciador construiu uma carreira pautada pela autenticidade e pelo desejo de ampliar a representatividade. Homem negro, gay e criado na periferia, ele faz da própria história um incentivo para que outras pessoas enxerguem novas possibilidades de futuro.
A caminhada, no entanto, esteve longe de ser simples. Antes de conquistar espaço, Moisés precisou lidar com a pressão por resultados imediatos nas plataformas digitais e enfrentar barreiras impostas pelo preconceito. Em alguns momentos, chegou a questionar se deveria continuar, mas encontrou justamente em sua trajetória a motivação para seguir.
"Quando você vem da periferia, é um homem negro e gay, muitas portas parecem estar fechadas antes mesmo de você tentar abri-las. Além disso, trabalhar com internet exige constância, e nem sempre os resultados aparecem na velocidade que esperamos. O que me fez continuar foi entender que minha história poderia inspirar outras pessoas", afirma.
"Cada conquista mostrou que eu estava no caminho certo. Hoje, quando participo de campanhas, desfiles ou eventos importantes, lembro de onde vim e percebo que todo esforço valeu a pena. Meu propósito sempre foi ocupar espaços sem abrir mão de quem eu sou", complementa.
Para Moisés, cada oportunidade conquistada também representa um passo importante para quem vem depois. Ele acredita que ampliar a presença de pessoas negras em posições de destaque contribui para que crianças e jovens cresçam cercados por referências mais diversas.
"A representatividade importa porque faz as pessoas acreditarem que também podem chegar lá. Quando um jovem negro entra no meu perfil e vê alguém que veio da periferia ocupando espaços na moda, na comunicação e na publicidade, ele entende que esse lugar também é dele."
Essa visão foi construída ao longo dos anos, inspirada em personalidades que desafiaram padrões e abriram caminhos em diferentes áreas. Entre elas, Moisés destaca Conceição Evaristo,Sandra de Sá, Glória Maria, Gilberto Gil, Rafael Zulu, Lázaro Ramos, Taís Araújo e Mano Brown, nomes que, segundo ele, mostraram que talento, identidade e propósito podem caminhar juntos.
"Essas pessoas me ensinaram que representatividade vai muito além da imagem. É sobre abrir caminhos, ocupar espaços com propósito e criar oportunidades para que as próximas gerações encontrem um cenário mais diverso do que aquele que eu encontrei quando comecei. Não quero ser visto apenas como uma exceção. Quero fazer parte de uma mudança em que pessoas negras estejam presentes em todos os espaços de forma natural, sendo reconhecidas pelo talento, pela criatividade e pela competência."
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Embora reconheça que as redes sociais ampliaram a visibilidade de criadores negros, Moisés acredita que ainda há um longo caminho até que a diversidade deixe de ser encarada como algo extraordinário.
"Quero entrar em um hotel de luxo, em um restaurante, em um shopping ou ligar a televisão e ver pessoas negras ocupando todos os espaços. Não apenas trabalhando nesses lugares, mas também consumindo, viajando, apresentando programas, liderando empresas e vivendo essas experiências. Quando isso acontecer de forma espontânea, vamos entender que a representatividade deixou de ser um discurso e passou a fazer parte da realidade."
O futuro, segundo ele, passa pela expansão da carreira como comunicador. Entre os objetivos estão apresentar grandes eventos, comandar um programa de entrevistas, acompanhar semanas de moda internacionais e unir, cada vez mais, moda, entretenimento e impacto social em seus projetos. Conhecer Nova York, cidade que considera uma das maiores referências mundiais em cultura e diversidade, também está entre os planos.
Mais do que alcançar novos espaços, Moisés diz que deseja continuar abrindo caminhos para outras pessoas.
"Quero continuar ocupando lugares que um dia pareciam distantes para alguém com a minha história. Se, ao fazer isso, eu conseguir inspirar outras pessoas negras e da comunidade LGBTQIAPN+ a acreditarem que também podem chegar lá, vou sentir que estou cumprindo um propósito muito maior do que qualquer conquista profissional", finaliza.
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