Cantora Melody foi convidada para participar do evento de forma voluntária, mas não pôde comparecer devido a compromissos profissionais assumidos anteriormente; participação de MC Matheuzim, DJ Lucas Beat e outros artistas ocorreu de maneira espontânea e sem cachê.

por Zoom Pop
Publicado em 13/05/2026, às 02h09
Em meio às discussões que surgiram nas redes sociais após a realização da 3ª edição do Festival de Música Negra da Ceilândia, o evento voltou ao centro do debate cultural por reforçar o protagonismo negro e reunir artistas em torno de uma proposta marcada pela valorização da cultura periférica e afro-brasileira.
Com uma programação construída para dar visibilidade a talentos negros locais, o festival manteve integralmente os artistas previstos em seu planejamento original e promoveu apresentações que celebraram identidade, ancestralidade e resistência cultural. Entre os destaques estiveram grupos como Samba da Guariba, Negro Vatto e Canto das Pretas, além dos DJs Chokolaty e Ketlen e das cantoras Makéna e Saphira.
O evento também abriu espaço para manifestações culturais e educativas, como a oficina de teatro comandada pela artista Maria Art, apresentações do Grupo de Capoeira Ginga Ativa e a presença de expositores negros da região, ampliando o alcance social e artístico da iniciativa.
Parte da repercussão em torno do festival ocorreu após comentários envolvendo o nome da cantora Melody. Entretanto, a artista não participou do evento e sequer esteve presente na festividade. Segundo a organização, Melody recebeu um convite espontâneo e colaborativo, assim como outros artistas convidados, mas não conseguiu comparecer devido a compromissos profissionais assumidos anteriormente.
Ainda de acordo com os organizadores, não houve qualquer contrato ou pagamento relacionado à possível participação da cantora, já que o convite aconteceu de forma voluntária.
Quem esteve presente no festival também aderiu ao projeto sem cachê. Nomes como MC Matheuzim, DJ Lucas Beat e DJ Braga participaram de maneira espontânea, em um gesto de apoio à proposta cultural do evento e à luta contra o racismo por meio da música e da arte periférica.
A participação voluntária dos artistas acabou se tornando um dos principais símbolos desta edição, evidenciando uma mobilização coletiva em torno da valorização da cultura negra e da ocupação de espaços culturais pela periferia.
Diante das informações que circularam nas redes, a organização reforçou que não houve retirada de espaço de artistas negros nem alteração do planejamento cultural inicialmente previsto. Todos os artistas contratados permaneceram na programação, enquanto os convidados apenas contribuíram para ampliar a visibilidade do festival.
Com isso, o Festival de Música Negra da Ceilândia consolida sua proposta de fortalecer artistas negros e promover união dentro da cena cultural. Mais do que entretenimento, o evento se posiciona como um espaço de representatividade, colaboração e construção coletiva em torno da cultura afro-brasileira.
Em um cenário onde iniciativas culturais enfrentam desafios constantes para se manterem ativas, ações voluntárias e movimentos de apoio entre artistas reforçam a importância da coletividade e da valorização da cultura produzida nas periferias brasileiras.

COLUNISTAS