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Ferréz celebra 25 anos de Capão Pecado e projeta futuro da literatura periférica para os próximos 50 anos

Evento no Sesc marcou os 25 anos de Capão Pecado e trouxe anúncios de novos projetos que prometem fortalecer a literatura periférica e projetar o futuro das quebradas no Brasil e no mundo

Imagem Ferréz celebra 25 anos de Capão Pecado e projeta futuro da literatura periférica para os próximos 50 anos
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por Zoom Pop

Publicado em 23/09/2025, às 16h59

O Sesc recebeu uma noite histórica para a literatura brasileira: a celebração dos 25 anos de Capão Pecado, livro de estreia de Ferréz que transformou a forma de retratar a periferia paulistana e abriu caminho para a literatura marginal. Mais do que relembrar um clássico, o evento foi um convite a olhar para frente. O escritor aproveitou a ocasião para anunciar projetos que pretendem marcar não apenas as próximas décadas de sua carreira, mas também o futuro cultural e econômico das quebradas.

Lançado em 2000, Capão Pecado rompeu paradigmas ao dar voz às dores, resistências e vivências reais da periferia, em uma linguagem direta e sem filtros. A obra não só apresentou Ferréz ao país, como consolidou um movimento de literatura periférica que influenciou gerações e conquistou espaço no mercado editorial.

Novos rumos e sonhos coletivos

Entre as novidades reveladas, está a criação de uma nova empresa, prevista para dezembro. Ferréz definiu o projeto como a chance de realizar “a coisa do jeito que a gente sempre sonhou, sem regras, sem filtro, porque não temos que ter limites quando se trata da periferia e do nosso povo”.

O escritor também apresentou a ideia de uma “dinastia da quebrada”:

“Já ficaram muitos nomes históricos de famílias hereditárias. Está na hora de nomes da nossa quebrada ficarem imortalizados também. Trazer uma nova forma de alimentar a história e trazer à tona a cultura de novas famílias.”

Outras iniciativas também seguem em expansão, como a Comix Zone e a marca 1Dasul, além de um novo site e parcerias estratégicas. A meta é transformar essas ações em um projeto coletivo de longo prazo. “Tem que estar bom para muita gente, só para uma minoria não adianta”, reforçou Ferréz.

Reconhecimento além das fronteiras

Autor de títulos como Manual prático do ódio, Ninguém é inocente em São Paulo e Deus foi almoçar, Ferréz é hoje uma referência dentro e fora do Brasil. Suas obras já foram traduzidas em países como Itália, Alemanha, Inglaterra, Portugal, França, Espanha e Estados Unidos, confirmando seu lugar como uma das vozes mais potentes da literatura contemporânea.

A celebração de 25 anos de Capão Pecado não foi apenas uma homenagem ao passado, mas a abertura de um novo ciclo. Com projetos ousados e a missão de fortalecer a cultura periférica, Ferréz se reafirma como protagonista de uma literatura que nasceu nas quebradas e agora ecoa pelo mundo.