Pesquisa na Revista Brasileira de Ortopedia avalia técnica segura para tratar instabilidade patelar em crianças

por Thiago Michelasi
Publicado em 24/12/2025, às 16h24
Um estudo conduzido por especialistas brasileiros em ortopedia aponta novos caminhos para o tratamento da instabilidade patelar em crianças e adolescentes, condição marcada por deslocamentos recorrentes da rótula que afetam mobilidade, autonomia e participação social. A pesquisa, publicada na Revista Brasileira de Ortopedia, reforça o papel da Bahia na produção científica da especialidade ao apresentar abordagens cirúrgicas menos agressivas para pacientes em fase de crescimento.
À frente do trabalho está o ortopedista e traumatologista Maurício Armede, médico com atuação reconhecida nas áreas de ortopedia pediátrica, traumatologia, ensino e gestão em saúde. Sua trajetória profissional, marcada pela integração entre prática clínica e pesquisa, contribui para o fortalecimento da ortopedia baiana no cenário médico nacional.
A investigação avaliou uma técnica desenvolvida especificamente para crianças e adolescentes ainda em crescimento ósseo. O método combina a reconstrução do ligamento patelofemoral medial e do ligamento patelotibial medial, evitando perfurações ósseas e reduzindo o risco de lesões nas cartilagens de crescimento. O procedimento utiliza o tendão semitendíneo como enxerto, com pequenas incisões e auxílio de radioscopia, preservando estruturas essenciais do joelho em formação.
Segundo Maurício Armede, preservar o crescimento ósseo é um princípio técnico e ético no cuidado ortopédico pediátrico. “O objetivo é estabilizar a patela sem comprometer o desenvolvimento, e essa técnica permite alcançar esse equilíbrio”, afirma.
O estudo acompanhou sete pacientes, com idade média de 11 anos, por 12 meses. Nenhum apresentou recidiva, e os resultados indicaram melhora da mobilidade, evolução dos escores funcionais e desaparecimento do sinal de apreensão, indicador clássico da instabilidade patelar. Para os autores, a estabilização precoce pode evitar afastamentos de atividades físicas e reduzir limitações sociais associadas à dor e à insegurança na marcha.
A produção científica dialoga diretamente com a trajetória de Armede, graduado pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, com Residência em Ortopedia e Traumatologia no Hospital COT e especialização em Ortopedia Pediátrica no Hospital Martagão Gesteira. Ele também foi diretor médico do Hospital João Carlos Palolilo Bacelar e é fundador da Clínica Ortopédica Ortocruz.
Ao liderar estudos publicados em periódicos de referência e manter atuação integrada entre ciência, assistência e ensino, Maurício Armede reafirma a relevância da ortopedia desenvolvida na Bahia para o avanço da medicina e para a melhoria da qualidade de vida de crianças e adolescentes.
COLUNISTAS