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Érika Linhares expõe a nova liderança e critica velhos hábitos das empresas no Mulheres Pod

Fundadora da B-Have e autora de best-seller diz que postura vale mais que cargo, defende autenticidade feminina e afirma que liderar exige coragem, clareza e responsabilidade emocional.

Imagem Érika Linhares expõe a nova liderança e critica velhos hábitos das empresas no Mulheres Pod
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por Zoom Pop

Publicado em 19/11/2025, às 17h31

A forma de liderar mudou, e quem acompanha o mercado já percebeu isso há algum tempo. No episódio especial do Mulheres Pod, gravado ao vivo, Érika Linhares trouxe uma visão firme e muito pouco romantizada sobre o que significa liderar pessoas hoje. Fundadora da B-Have, pedagoga e autora do best-seller “Gente Feliz Não Enche o Saco”, ela contou como sua própria trajetória — que começa vendendo roupas e passa por cargos estratégicos em grandes empresas — moldou sua percepção sobre comportamento, cultura e resultados.

Ao longo da conversa, Érika deixou claro que autoridade não é mais suficiente. Segundo ela, o que pesa agora é postura. O líder que fala muito, mas faz pouco, não inspira mais ninguém. Ela descreve o “líder moderno” como alguém coerente, que se posiciona com clareza e assume a responsabilidade emocional das escolhas que faz. Essa postura, segundo Érika, vale mais do que qualquer título no crachá.

Um dos momentos mais fortes da entrevista foi quando ela relembrou sua passagem pelo setor público, que serviu como uma espécie de laboratório humano. Foi ali que ela aprendeu sobre disciplina, serviço e coletividade. A ida para o setor privado trouxe impacto imediato: mais pressão, mais cobrança e muito mais necessidade de performance. Mas foi também onde ela entendeu a importância da cultura como base de qualquer resultado consistente.

Érika não poupou críticas às práticas comuns nas empresas brasileiras. Para ela, ainda se erra muito ao promover pessoas sem preparo emocional, ao escolher líderes “porque são legais” e ao construir culturas que só existem no papel. Ela afirma que liderança não é sobre agradar — é sobre ser justo. E justiça, no ambiente corporativo, significa equilibrar empatia com firmeza, sem perder humanidade e sem abrir mão do que precisa ser feito.

Outro ponto marcante da entrevista foi seu relato sobre o “despertar aos 45”. Ela contou que, nesse período, decidiu abandonar tudo que não fazia sentido e se dedicar apenas ao que realmente a movia. Essa virada, segundo ela, mostra que propósito não é discurso motivacional; é uma bússola. Sem propósito, líderes se perdem, equipes se confundem e empresas acabam andando em círculos.

Ao falar sobre liderança feminina, Érika reforçou que as mulheres não precisam repetir modelos antigos para ocupar espaços de poder. Ela destacou que autenticidade, vulnerabilidade estratégica e sensibilidade são forças reais — e que muitas vezes são justamente o que diferencia uma líder. “É sobre ser você, não a versão que esperam de você”, afirmou.

O tema da alta performance também entrou em pauta. Para Érika, equipes de alta performance não surgem do excesso de tarefas ou da cobrança desmedida. Elas surgem da clareza. A clareza do que se espera, da comunicação direta, de uma cultura que realmente funciona e de líderes presentes — emocionalmente, e não apenas fisicamente. Ela reforçou que constância é mais poderosa que intensidade e que coerência é mais eficaz do que urgência.

Ao olhar para o futuro da liderança, Érika foi categórica: não é sobre tecnologia, metodologias da moda ou frases prontas. É sobre comportamentos simples, mas raros. Responsabilidade emocional, foco no essencial, visão de longo prazo e presença real. Empresas que não entenderem isso, segundo ela, vão perder relevância nos próximos anos.

O episódio terminou com um convite direto, quase um desafio. Para Érika, liderar exige coragem: coragem para ser verdadeiro, para se posicionar e para manter a postura mesmo diante de pressões. Na visão dela, liderança não é um destino reservado a poucos — é uma escolha. E nunca é tarde para fazer essa escolha.

O Mulheres Pod, comandado por Amanda Abramo e Ana Mondragón, mais uma vez entregou uma conversa que foge do óbvio. O podcast se firmou como um espaço onde mulheres que estão transformando seus setores falam com honestidade sobre trabalho, vida e propósito. E a participação de Érika Linhares reforçou exatamente isso: liderança de verdade é menos sobre teoria e mais sobre quem você escolhe ser todos os dias.