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Entre o Sol e a Neve - Mauricio Marcantonio revela como Brasil e Canadá moldam duas arquiteturas sustentáveis! Uma guiada pelo clima, outra pela precisão

Arquitetura sem fronteiras: O olhar de Mauricio Marcantonio

Imagem Entre o Sol e a Neve - Mauricio Marcantonio revela como Brasil e Canadá moldam duas arquiteturas sustentáveis! Uma guiada pelo clima, outra pela precisão
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por Zoom Pop

Publicado em 06/02/2026, às 13h04

Entre o calor tropical do Brasil e o rigor climático do Canadá, a sustentabilidade ganha formas diferentes. E foi exatamente nesse contraste que o arquiteto brasileiro Mauricio Marcantonio, radicado em Vancouver, consolidou sua visão: sustentável não é apenas o que “parece verde”, mas o que funciona melhor no clima, na cultura e no desempenho real.

Ele traduz essa virada com clareza e poesia: “Quando deixei o Brasil para continuar minha carreira no Canadá, achei que estava apenas trocando de clima. Na verdade, estava entrando em uma nova forma de pensar arquitetura. No Brasil, a sustentabilidade sempre esteve presente, não como tendência, mas como necessidade. No Canadá, ela se transformou em método, em cálculo, em norma. E foi entre o sol e a neve que aprendi que sustentabilidade é tanto uma questão de cultura quanto de carbono”.

Com mais de 20 anos de experiência entre design e gestão de projetos, Mauricio construiu carreira atravessando setores (corporativo, comercial, industrial e, especialmente, residencial de alto padrão). Formado em Arquitetura e Urbanismo em São Paulo, atuou por anos no mercado brasileiro, chegando a ser sócio e arquiteto principal em escritório próprio (DS2 Arquitetura), além de passar por empresas reconhecidas como Gui Mattos Arquitetura e Aedas DBB.

Desde 2013, trabalha no Canadá na Evoke International Design (Vancouver), onde ocupa a posição de Lead Architectural Designer, liderando projetos do conceito ao acompanhamento de obras, com forte interface com códigos, aprovações e processos municipais. Seu trabalho recebeu destaque e premiações no Canadá, incluindo reconhecimentos do IIDA e do IDIBC Shine Awards em diferentes anos com diversos projetos residenciais premiados.

Esse “pé em dois mundos” é o que torna a comparação tão rica: ele conhece o Brasil onde o clima manda, e o Canadá onde o desempenho manda.

Trabalhando em Vancouver, Mauricio percebeu rapidamente que sustentabilidade não é uma opção e sim uma exigência de projeto. Códigos como o Energy Step Code e o Zero Emissions Building Plan estruturam um caminho mensurável, em que cada edifício precisa comprovar eficiência e reduzir emissões.

É uma cultura de precisão: cada detalhe é quantificado, cada decisão é documentada. Materiais como mass timber e soluções totalmente elétricas mostram que eficiência e beleza podem caminhar juntas. No Canadá, a arquitetura se prova nos números e essa clareza dá confiança.

No Brasil, Mauricio aprendeu sustentabilidade muito antes de ela virar “tema”. O sol ensina a proteger, o vento ensina a orientar, e a chuva lembra de reaproveitar. Projetar em cidades como São Paulo ou Brasília é, antes de tudo, entender o clima.

A arquitetura se abre em vez de se fechar. Brises, sombreamentos, pátios e varandas tornam o edifício mais humano e mais fresco, reduzindo a dependência de sistemas mecânicos e ampliando o conforto. Hoje, esse conhecimento intuitivo se soma a instrumentos mais formais como PBE Edifica, ABNT NBR 15575, Lei 14.300 (geração solar distribuída) e certificações como AQUA-HQE e LEED, que ajudam a traduzir conforto e desempenho em critérios verificáveis.

“O que mais me encanta na arquitetura brasileira é a emoção que ela carrega, uma sustentabilidade que não perde o calor humano”, afirma Mauricio.

Na leitura de Mauricio, Brasil e Canadá não competem, se complementam. O Brasil ensina a sustentabilidade do clima e do viver bem. O Canadá ensina a sustentabilidade do cálculo e da prova técnica. O futuro mais forte é o que une os dois: método e cultura, número e experiência, eficiência e vida real.

 Fonte: Julia Reyes