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Daniel Barboza conquista título histórico no principal campeonato de judô dos Estados Unidos

Aos 42 anos, brasileiro venceu todas as lutas por ippon no principal campeonato de judô dos Estados Unidos e conquistou dois títulos históricos após superar uma série de desafios pessoais.

Imagem Daniel Barboza conquista título histórico no principal campeonato de judô dos Estados Unidos
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por Zoom Pop

Publicado em 13/05/2026, às 12h29

Por Júlia Reyes

O brasileiro Daniel Barboza viveu um dos momentos mais marcantes de sua carreira esportiva no último dia 10 de maio, durante o Campeonato Americano de Judô, realizado em Albuquerque, no estado do Novo México, nos Estados Unidos. Aos 42 anos, o treinador capixaba conquistou dois títulos na competição considerada a mais importante do judô norte-americano e chamou atenção pela forma dominante com que venceu todas as suas lutas.

Daniel foi campeão da categoria Absoluto Adulto, conhecida internacionalmente como Open Division, considerada a disputa mais difícil e prestigiada do campeonato por reunir atletas de diferentes pesos e idades em uma mesma chave. Além disso, também garantiu o ouro na categoria M3 Heavyweight, destinada a competidores entre 40 e 44 anos acima de 100 kg.

O desempenho impressionou ainda mais porque todas as sete lutas disputadas pelo brasileiro terminaram em ippon, pontuação máxima do judô e equivalente ao nocaute no boxe.

“Ganhar já seria especial, mas vencer todas as lutas por ippon em uma competição desse nível foi algo muito marcante para mim”, afirmou Daniel Barboza.

A conquista ganha ainda mais relevância pelo contexto vivido pelo atleta antes e durante a viagem aos Estados Unidos. Daniel enfrentou uma sequência de imprevistos que quase comprometeram sua participação no torneio. O judoca perdeu o voo inicial, precisou remarcar a passagem às pressas e quase ficou novamente fora do embarque após uma revista de segurança no aeroporto atrasar sua entrada no avião.

Ao chegar em Albuquerque, os problemas continuaram. O hotel reservado inicialmente não permitiu sua entrada devido a um erro no check-in. O atleta passou horas tentando resolver a situação por telefone e precisou buscar outra hospedagem. Além disso, perdeu um fone de ouvido no aeroporto, esqueceu um casaco no hotel e ainda descobriu que sua passagem de retorno havia sido emitida para junho em vez de maio.

“Foi uma viagem completamente fora da curva. Normalmente sou muito organizado e detalhista, então tudo aquilo parecia inacreditável para mim”, relembrou.

Mesmo diante do cenário caótico, Daniel acredita que os obstáculos acabaram contribuindo para sua postura agressiva dentro do tatame.

“Quando começou a competição, parecia que toda aquela tensão acumulada tinha virado combustível. Entrei muito focado e determinado”, disse.

A preparação para o campeonato também esteve longe do ideal. Segundo o atleta, ele treinou por menos de dois meses para a disputa e ainda precisou conciliar a rotina esportiva com as responsabilidades familiares. Pai de um bebê recém-nascido, Daniel decidiu assumir o turno noturno em casa para ajudar a esposa durante o período pós-parto.

“Eu queria que minha esposa pudesse descansar e ter tranquilidade para cuidar do nosso filho. Dormi pouco durante semanas, mas faria tudo da mesma forma novamente”, declarou.

Além das noites mal dormidas, o brasileiro também revelou que competiu enquanto se recuperava fisicamente e ainda utilizava antibióticos durante o período da competição.

“Levando em consideração tudo o que aconteceu antes do campeonato, sinceramente foi uma das conquistas que mais me deixaram orgulhoso na vida”, afirmou.

A trajetória de Daniel Barboza no judô internacional já vinha sendo construída há alguns anos. Em 2021, ele participou do mesmo campeonato e terminou na segunda colocação. Na época, acreditava que dificilmente voltaria a competir em alto nível devido à idade e ao longo período afastado das competições.

Agora, aos 42 anos, o brasileiro retorna ao principal torneio de judô dos Estados Unidos para conquistar justamente a categoria mais simbólica do evento, enfrentando atletas mais jovens e consolidando seu nome entre os grandes destaques do judô internacional.

“Essa conquista representa disciplina, família, superação e muita persistência, O que me motivou ainda mais nessa competição foi o fato de eu encará-la como minha última disputa na categoria adulto, principalmente pela minha idade. Também queria muito dedicar essas medalhas ao meu filho. Mas depois desse resultado, muitas pessoas passaram a dizer que eu ainda deveria buscar uma vaga olímpica pelos Estados Unidos”, concluiu o lutador.”