ROBÉRIO DE OGUM

Antes de pedir a Deus, pergunte o que você pode fazer pelo próximo

Foto: Robério de Ogum
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Robério de Ogum

por Robério de Ogum

Publicado em 02/09/2026, às 10h29

Hoje você ganhou mais um dia de vida. Eu também. E talvez a primeira coisa que façamos ao acordar seja pensar naquilo que precisamos: saúde, dinheiro, trabalho, proteção, solução para um problema. Mas e se, por um dia, fizéssemos diferente? Antes de pedir alguma coisa a Deus, poderíamos perguntar: o que eu posso fazer pelo próximo hoje?

Olhe ao redor. Enquanto sobra comida na mesa de alguns, falta na casa de outros. Enquanto uma criança dorme cercada de conforto e carinho, outra cresce sem saber o que é ter uma família por perto. Enquanto reclamamos dos nossos problemas, existem pessoas sem casa, sem cama, sem um chuveiro para tomar banho.

Há também idosos que foram pais e mães durante uma vida inteira e hoje vivem em instituições esperando uma visita que talvez nunca chegue. Não estou dizendo que os nossos problemas não importam. Importam. Cada pessoa conhece a própria dor. O problema é quando passamos a enxergar somente a nós mesmos.

Espiritualidade também é conseguir olhar para fora. Não adianta pedir proteção a Deus, aos santos, aos guias e aos orixás se não somos capazes de estender a mão quando alguém precisa. Fé não deveria existir apenas quando queremos receber alguma coisa.

Ela também precisa aparecer naquilo que estamos dispostos a oferecer. E não estou falando necessariamente de dinheiro. Às vezes é uma visita. Uma conversa. Um prato de comida. Uma roupa que está parada no armário. Uma palavra de esperança. Até uma oração sincera por alguém que você nunca viu pode mudar a maneira como você começa o seu próprio dia.

Experimente fazer isso. Em vez de acordar dizendo “Deus, eu preciso disso”, diga: “Senhor, hoje eu não quero começar pedindo por mim. Mostre o que eu posso fazer por alguém”. Acenda uma vela por quem está sofrendo. Faça uma oração por quem está perdido. Ajude alguém sem contar para ninguém. Olhe para uma pessoa que a sociedade deixou de enxergar.

Quando fazemos o bem esperando recompensa, ainda estamos pensando em nós mesmos. O verdadeiro exercício espiritual começa quando fazemos porque entendemos que aquela pessoa também faz parte deste mundo.

Somos todos habitantes do mesmo pequeno planeta. Eu acredito que Deus nos deu algo extraordinário: a capacidade de sentir a dor do outro. Chamamos isso de compaixão, sensibilidade, intuição, amor. Pouco importa o nome. Importa o que fazemos com isso.

Você pode ser luz na vida de alguém. E talvez esteja justamente aí uma das maiores contradições da fé: passamos tanto tempo pedindo para que Deus ilumine nossos caminhos quando, muitas vezes, Ele pode estar esperando que sejamos nós a iluminar o caminho de outra pessoa.
O ontem já passou. O amanhã ainda não existe. É o que fazemos hoje que começa a construir aquilo que seremos amanhã. Então fica uma pergunta para este dia: você vai vivê-lo pensando apenas no que precisa receber ou também no que pode oferecer?

Talvez, antes de pedir alguma coisa ao céu, valha a pena olhar um pouco para quem está aqui na Terra. Axé!

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do CENAPOP.