A cultura periférica brasileira — representada pelo funk, rap e trap — enfrenta uma onda de ataques que vai muito além da crítica artística. Para o advogado Dr. José Estevam, especialista em direito do entretenimento, crimes digitais e liberdade de expressão, o que está em curso é uma perseguição disfarçada de moralismo, mas movida por interesses políticos e econômicos que tentam controlar o alcance e a influência desses gêneros.
“No Brasil de hoje, a hipocrisia e o revanchismo viraram armas de ataque estratégico. O alvo? O funk, o rap e o trap — gêneros que representam a voz das periferias e são a trilha sonora mais ouvida do país e do mundo”, afirma o advogado.
Segundo Estevam, os embates públicos e institucionais que envolvem artistas da música popular não têm relação real com ética ou bons costumes, mas com visibilidade e disputa de mercado.
“Esses ataques não são sobre ‘moralidade’. São uma estratégia de marketing disfarçada de pseudo-ética, usada por quem não suporta ver a cultura periférica brilhar nos holofotes que eles nunca conquistaram”, ressalta.
Para o advogado, é urgente reconhecer que o verdadeiro protagonismo cultural brasileiro não está nas grandes gravadoras nem nas instituições oficiais, mas nas favelas, quebradas e comunidades que transformaram expressão em economia.
“Vivemos um teatro em que a guerra de torcidas substitui os verdadeiros protagonistas: os artistas que movem a economia criativa e traduzem a alma das ruas”, destaca Estevam.
Ele lembra ainda que esses gêneros são os maiores produtos de exportação cultural do país, levando o som das periferias para o mundo e projetando o Brasil de forma inédita.
“O que eles tentam sufocar é justamente o que mais exportamos para o mundo: a cultura periférica brasileira, um dos produtos mais rentáveis e influentes da nossa história”, reforça.
Para o especialista, a verdadeira revolução cultural brasileira não nasce dos palcos oficiais, mas das vozes que ecoam das favelas e quebradas, que já conquistaram respeito e aplausos internacionais.
“A revolução cultural não está nas salas de concerto, mas nos becos, nas ruas e nos palcos improvisados das comunidades. É ali que nasce a força que move o Brasil”, conclui.