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Erich Hüttner desvenda as estratégias de M&A contábil no maior evento de gestão do Brasil

CEO da VSH Partners, “quebrou mitos” e mostrou como contadores podem atrair investidores em painel exclusivo no Ponto Fora da Curva, maior evento de Gestão Contábil prática do Brasil, realizado em outubro.

Erich Hüttner desvenda as estratégias de M&A contábil no maior evento de gestão do Brasil - Reprodução Instagram
Erich Hüttner desvenda as estratégias de M&A contábil no maior evento de gestão do Brasil - Reprodução Instagram
Mundo Pop

por Mundo Pop

Publicado em 25/11/2025, às 02h34

A consolidação no setor contábil já é uma realidade e no centro dessa transformação, onde negócios familiares se tornam investimentos cobiçados por fundos nacionais e internacionais, está Erich Hüttner, CEO da VSH Partners, uma das mais respeitadas boutiques de M&A do país. Hüttner foi uma das vozes mais aguardadas no Ponto Fora Da Curva, maior evento de gestão contábil prática do Brasil, que aconteceu nos dias 30 e 31 de outubro, no São Paulo Expo. 
Durante o painel exclusivo sobre M&A no setor contábil, sua palestra foi destaque entre os participantes e trouxe uma nova perspectiva sobre como fusões e aquisições estão redefinindo o futuro da contabilidade no país. 
Com a presença de mais de 5 mil contadores e donos de escritório nos dois dias de evento, o Ponto Fora da Curva também foi um grande palco para atualização e networking para o setor. Para Hüttner, o momento foi repleto de oportunidades. “Hoje o maior desafio da gestão contábil é sair da operação e entrar na estratégia. Muitos escritórios ainda estão presos a uma rotina pesada de tarefas manuais, margens apertadas e alta dependência dos sócios. O M&A entra como um divisor de águas porque permite que o contador transforme o próprio negócio em um ativo valioso — algo que pode atrair capital, tecnologia e escala”, afirma.
Especialista em fusões e aquisições, Hüttner defende que os contadores precisam começar a enxergar seus escritórios como empresas de alto potencial de investimento, e não apenas como prestadores de serviço. Ele explica que, ao adotar uma estrutura de governança, processos organizados e previsibilidade financeira, o escritório se torna atraente para investidores estratégicos e fundos. “O investidor busca previsibilidade. Ele quer entender se o negócio tem governança, receita recorrente, base de clientes sólida e um time capaz de operar sem depender do fundador”, diz.
Nos últimos anos, a VSH Partners tem se tornado uma referência nacional em valuation e M&A para empresas contábeis, assessorando operações que unem técnica, propósito e visão de futuro. Um dos casos mais emblemáticos foi a fusão entre Focus e ADCCONT, estruturada pela boutique. “Foi um verdadeiro ‘casamento’ entre um francês e um carioca. De um lado, o Olivier, com perfil altamente técnico e visão internacional; de outro, o Alcir, um empresário com forte DNA comercial e profundo conhecimento do mercado local. A operação resultou em um grupo com presença nacional e faturamento dobrado”, relembra. “Quando o M&A é conduzido com respeito à cultura, ao propósito e às pessoas, o valor gerado vai muito além do financeiro.” 
Fundada em 2021, em plena pandemia, a VSH Partners nasceu da percepção de que os empresários brasileiros precisavam de um modelo de assessoria mais integrado, prático e humano. “Percebi uma lacuna no mercado: empresários que buscavam vender ou atrair investimento para suas empresas precisavam lidar com vários players diferentes, advogados, consultores financeiros, contadores, economistas. Tudo muito complexo e moroso. Foi então que decidi fundar a VSH Partners, com uma proposta clara: oferecer uma estrutura completa de M&A, onde o empresário pudesse iniciar e concluir toda a transação com o mesmo time”, explica Hüttner.
Com um time multidisciplinar formado por advogados, contadores e economistas, a boutique atua em todas as etapas do processo, do valuation à due diligence, passando pela estruturação jurídica e acompanhamento pós-transação. Mas o que diferencia a VSH Partners das grandes firmas, segundo o CEO, é a proximidade e a personalização: “Uma boutique de M&A não trabalha com volume, trabalha com propósito. Cada transação é tratada como única, com análise minuciosa, envolvimento direto dos sócios e uma estratégia feita sob medida para maximizar o valor do negócio.”
Essa abordagem tem consolidado a VSH Partners como uma das principais boutiques do país, com forte presença no mid-market e foco em empresas familiares. “Nosso propósito é claro: ajudar o empresário brasileiro a vender sua empresa de forma estruturada, com liberdade, liquidez e respeitando o legado”, reforça.
Com cerca de 90 mil escritórios formalmente registrados no país, segundo o Conselho Federal de Contabilidade, o mercado vive um processo de consolidação e profissionalização sem precedentes. “Os investidores enxergaram no setor contábil o mesmo potencial que o varejo e a saúde tiveram há cerca de dez anos: unir marcas fortes, integrar estruturas e gerar eficiência”, afirma. 
A digitalização também acelerou esse movimento. Escritórios que investem em automação, BI e marketing digital ganham grande vantagem no mercado. “A tecnologia se tornou o novo ‘ativo invisível’ do valuation”, diz o CEO ao mesmo tempo em que manda o recado direto: quem adotar tecnologia, governança e estratégia comercial vai liderar a próxima fase do mercado.

Liderança com propósito

Formado em Direito e com uma carreira sólida no atendimento a grupos nacionais e internacionais, Hüttner sempre preferiu o caminho da ação ao da burocracia. “Desde cedo, tive aversão à figura do advogado burocrata, aquele que para cada solução encontra dois problemas. Sempre acreditei que o verdadeiro papel do profissional é criar caminhos, não barreiras”, afirma.
Hoje, ele conduz a VSH Partners com uma filosofia que combina técnica e sensibilidade, o mesmo equilíbrio que busca nas negociações de alto impacto que lidera. “O segredo está em unir técnica e empatia. M&A é um processo de números, mas também de pessoas. Eu costumo dizer que os dados mostram o valor, mas a escuta revela o propósito”, resume.

Um convite à estratégia

Para os contadores que ainda veem o M&A como algo distante, o executivo deixa uma provocação: “Toda empresa tem três destinos possíveis: ou vai quebrar; ou será sucedida, o que é pouco provável, já que a geração seguinte precisa ter tanto aptidão técnica quanto apetite para tocar o negócio; ou será vendida e é aí que mora a grande oportunidade: realizar, de forma justa, o capital construído ao longo de décadas de investimento, trabalho, sangue, suor e lágrimas. O futuro recompensa quem tem coragem de planejar o próprio final.”