Projeto de R$ 400 milhões aposta na combinação entre segunda residência, mobilidade aérea e turismo de alto padrão para transformar uma das maiores represas do país em destino de investidores.

por Brenno
Publicado em 05/06/2026, às 07h17
O avanço do mercado imobiliário de luxo para regiões fora dos tradicionais eixos turísticos brasileiros ganhou um novo capítulo em Minas Gerais. O Península Três Marias, empreendimento da Elemental Construtora às margens da represa de Três Marias, acumulou cerca de R$ 90 milhões em intenções de compra em menos de dez dias após apresentações realizadas para investidores em Belo Horizonte e São Paulo.
O resultado inicial revela o interesse crescente de famílias de alta renda por ativos associados à chamada economia da experiência, que combina patrimônio imobiliário, lazer, natureza e infraestrutura exclusiva. Com investimento estimado em R$ 400 milhões e Valor Geral de Vendas projetado em R$ 2 bilhões, o empreendimento pretende ocupar uma área de aproximadamente 630 hectares em uma das regiões mais estratégicas do interior mineiro.

A proposta vai além da construção de residências. O projeto prevê marina, infraestrutura náutica, áreas de convivência e uma parceria para operação de uma frota dedicada de aeronaves privadas, conectando o destino a centros emissores de renda como São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Goiânia. A estratégia acompanha um movimento observado em mercados internacionais, onde a mobilidade passou a ser tratada como parte integrante do produto imobiliário.
Na primeira fase de comercialização, 15 das 39 unidades disponibilizadas registraram manifestações formais de interesse. As chamadas Casas Suspensas possuem áreas entre 200 e 800 metros quadrados e são direcionadas principalmente a empresários e investidores em busca de uma segunda residência voltada ao lazer e à preservação patrimonial.
O avanço desse modelo de empreendimento também levanta discussões sobre o futuro econômico de regiões historicamente pouco associadas ao mercado imobiliário premium. Defensores do projeto argumentam que a iniciativa pode ampliar a arrecadação local, estimular o turismo e atrair novos investimentos. Já especialistas em desenvolvimento regional apontam a necessidade de acompanhar os impactos sociais, urbanos e ambientais provocados pela chegada de grandes projetos voltados a um público de alta renda.
Em um país marcado por profundas desigualdades, o crescimento dos chamados condomínios-destino tornou-se um dos retratos mais evidentes das transformações recentes do mercado imobiliário. Ao mesmo tempo em que movimentam bilhões de reais e criam novas fronteiras de investimento, esses empreendimentos ajudam a redesenhar a ocupação econômica de áreas antes distantes dos grandes circuitos do capital imobiliário nacional.
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