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Dra. Caroline Sampaio: a saúde íntima deixou de ser tabu entre as brasileiras

Ginecologista Dra. Caroline Sampaio explica por que mulheres de 30, 40, 50 e 60 anos estão buscando ajuda médica para conversar sobre temas que antes eram silenciados

Dra. Caroline Sampaio observa uma mudança no comportamento feminino, com mulheres buscando cada vez mais orientação médica para cuidar da própria saúde - Divulgação/Pessoal
Dra. Caroline Sampaio observa uma mudança no comportamento feminino, com mulheres buscando cada vez mais orientação médica para cuidar da própria saúde - Divulgação/Pessoal
Brenno

por Brenno

Publicado em 05/08/2026, às 14h28

Mulheres de diferentes gerações estão chegando aos consultórios ginecológicos com uma postura diferente: mais informadas, mais conscientes sobre o próprio corpo e dispostas a falar sobre questões que, por muito tempo, permaneceram em silêncio. Queixas relacionadas à saúde íntima, antes escondidas por vergonha ou falta de informação, passaram a ser apresentadas com mais naturalidade, abrindo espaço para uma nova relação entre pacientes e profissionais da medicina.

Para a ginecologista Dra. Caroline Sampaio, essa mudança representa uma transformação importante na forma como as mulheres enxergam o autocuidado. A especialista observa que o acesso à informação e a evolução da abordagem médica contribuíram para que temas considerados delicados passassem a ser tratados com mais seriedade e acolhimento.

“Acredito que houve uma mudança importante tanto no olhar da medicina quanto no olhar das próprias mulheres. Durante muito tempo, a ginecologia esteve muito direcionada à prevenção e ao tratamento de doenças, e isso é fundamental. Mas hoje entendemos que a medicina também pode cuidar da mulher para além da ausência de uma doença”, explica.

Essa nova percepção tem levado mulheres de diferentes idades aos consultórios. A procura por atendimento não está restrita a uma faixa etária específica: pacientes mais jovens, mulheres após a gestação e aquelas que buscam prevenir problemas relacionados à saúde íntima têm procurado compreender melhor as transformações do próprio corpo.

Segundo Caroline, uma das principais diferenças observadas atualmente é a maneira como essas pacientes chegam para conversar sobre suas queixas. Antes marcadas pelo constrangimento, essas questões passaram a ser apresentadas com mais naturalidade.

“Hoje elas chegam muito mais informadas, conhecem os tratamentos, sabem nomear seus incômodos e conseguem falar sobre eles com uma leveza que, há alguns anos, seria muito mais difícil”, afirma.

A mudança no comportamento feminino também acompanha uma evolução no acesso ao conhecimento. Com a ampliação das informações disponíveis, muitas mulheres passaram a identificar sintomas que antes eram normalizados e entender que existem alternativas para melhorar sua qualidade de vida.

Para Caroline, esse processo foi fundamental para transformar a relação das pacientes com a própria saúde íntima.

“Durante muito tempo, falar sobre determinadas questões íntimas foi associado à vulgaridade. Hoje conseguimos compreender que existe uma abordagem médica séria, ética e baseada em conhecimento para tratar essas queixas”, destaca.

Mesmo com os avanços, Caroline explica que ainda existem dúvidas e inseguranças entre as pacientes. Uma das questões mais comuns está relacionada à comparação e à busca por um padrão considerado “normal”.

“Uma das perguntas que mais escuto no consultório é: ‘Doutora, a minha é normal?’. E não existe um padrão. Existe o que incomoda a paciente e tudo aquilo que podemos melhorar, caso ela deseje”, conta.

Outro receio frequente está relacionado à dor e aos procedimentos. Muitas mulheres chegam ao consultório com medo, principalmente quando o assunto envolve cirurgias ou tratamentos específicos. No entanto, para a médica, o maior obstáculo ainda é a ideia de que a mulher precisa aceitar determinados incômodos sem buscar ajuda.

“Talvez o maior preconceito seja a própria mulher acreditar que precisa simplesmente conviver com um desconforto porque aquilo não é tão importante”, afirma.

 (Divulgação/Pessoal).

A orientação, segundo Caroline, é que nenhuma mulher deve deixar de procurar atendimento por vergonha ou medo de julgamento. A medicina, quando conduzida de forma ética e individualizada, pode oferecer caminhos para diferentes necessidades.

 (Divulgação/Pessoal).

Em sua atuação voltada à saúde feminina, a Dra. Caroline Sampaio testemunha uma mudança que vai além dos consultórios. Cada atendimento reflete uma realidade em que informação, acolhimento e cuidado têm substituído o silêncio e a vergonha, mostrando que olhar para a saúde íntima também é uma forma de fortalecer a autoestima, o bem-estar e a qualidade de vida.