Queda, afinamento, oleosidade e falhas nos fios podem revelar desde deficiências nutricionais até alterações hormonais e doenças autoimunes, explica a dermatologista.

por Mundo Pop
Publicado em 31/07/2026, às 16h56
Durante muito tempo, a queda de cabelo foi encarada principalmente como uma preocupação estética. Hoje, essa percepção mudou. Para a Dra. Bianca Corso, especialista em Medicina Estética, Tricologia e Dermatologia, os fios passaram a ocupar um papel importante na prática médica por funcionarem como um dos primeiros sinais de que algo pode não estar em equilíbrio no organismo.
"Hoje sabemos que o cabelo funciona como um verdadeiro ‘termômetro’ da saúde. Ele é muito sensível às alterações do organismo. Deficiências nutricionais, alterações hormonais, doenças da tireoide, doenças autoimunes, estresse intenso e até algumas medicações podem se manifestar primeiro através da queda de cabelo. Muitas vezes, o cabelo é o primeiro a nos avisar que algo não está em equilíbrio”, afirma.
Segundo a especialista, sinais como queda intensa e persistente, diminuição do volume, afinamento progressivo, aumento da oleosidade, descamação, coceira, dor no couro cabeludo e falhas localizadas merecem investigação. Em muitos casos, o problema não está apenas nos fios, mas em alterações internas que o organismo já vinha manifestando.
As causas também costumam variar entre homens e mulheres. Nas mulheres, o eflúvio telógeno figura entre os diagnósticos mais frequentes, principalmente após períodos de estresse, cirurgias, infecções, alterações hormonais, gestação ou deficiência de ferro. Já a alopecia androgenética feminina costuma se intensificar após a menopausa. Entre os homens, a calvície hereditária segue liderando os diagnósticos, embora fatores como estresse, doenças sistêmicas e carências nutricionais também possam contribuir para a queda capilar.

"O fio de cabelo depende de um organismo funcionando bem para crescer de forma saudável. Quando existe algum desequilíbrio, o corpo prioriza órgãos vitais e reduz a energia destinada ao crescimento dos cabelos. É por isso que situações como menopausa, problemas da tireoide, falta de ferro, vitamina B12, vitamina D, doenças autoimunes e até alguns medicamentos podem alterar o ciclo de crescimento dos fios e provocar queda”, explica.
Outro ponto que preocupa a dermatologista é o crescimento da automedicação impulsionada pelas redes sociais. Vitaminas, suplementos e tônicos são frequentemente apresentados como soluções rápidas, mas nem sempre tratam a verdadeira origem do problema.
"O maior risco é tratar sem saber a causa. Nem toda queda acontece por falta de vitaminas. Aliás, o excesso de algumas vitaminas também pode provocar queda de cabelo. Além disso, enquanto a pessoa tenta resolver sozinha, uma doença pode estar evoluindo silenciosamente. Cada tipo de queda exige um tratamento diferente”, alerta.
No consultório, a investigação começa pela escuta detalhada do paciente. Informações sobre o início da queda, doenças recentes, cirurgias, parto, episódios de estresse, alterações hormonais e uso de medicamentos fazem parte da avaliação inicial. Em seguida, são realizados exames do couro cabeludo e, quando necessário, a tricoscopia, técnica que permite analisar fios e folículos com aumento. Exames laboratoriais também podem ser solicitados para identificar deficiências nutricionais, alterações hormonais e doenças da tireoide.
"Sim. É normal perder cerca de 50 a 100 fios por dia. O problema é quando essa queda se mantém por mais de dois ou três meses, quando o paciente percebe diminuição do volume, afinamento dos fios ou surgimento de falhas”, avalia.
Para a Dra. Bianca Corso, a medicina capilar evoluiu justamente por reunir diagnósticos cada vez mais precisos e tratamentos personalizados. Atualmente, a especialidade conta com medicamentos, tecnologias, procedimentos em consultório e protocolos individualizados, sempre definidos de acordo com as necessidades de cada paciente. Ainda assim, ela reforça que nenhum tratamento substitui uma investigação adequada.
Além das terapias disponíveis, hábitos simples continuam sendo fundamentais para a saúde dos fios, como alimentação equilibrada, sono de qualidade, controle do estresse e cuidados corretos com o couro cabeludo. A médica também desfaz mitos bastante difundidos, como a crença de que cortar o cabelo acelera o crescimento ou de que lavar os fios diariamente provoca queda.
"Eu costumo dizer que o cabelo é muito mais do que uma questão de beleza. Ele pode contar uma história sobre a saúde física e até emocional de uma pessoa. Quando alguém percebe uma mudança importante nos fios, o ideal não é apenas procurar um produto novo, mas entender por que isso está acontecendo”, aconselha.
Com os avanços da Tricologia e da Dermatologia, o diagnóstico precoce passou a permitir intervenções cada vez mais eficazes, capazes de unir saúde, prevenção e recuperação da autoestima.
"Cuidar do cabelo é cuidar da saúde. E, muitas vezes, um diagnóstico feito precocemente não preserva apenas os fios, mas também permite identificar doenças que precisam de tratamento. O nosso papel é olhar para o paciente como um todo, porque o cabelo nunca deve ser analisado isoladamente. Ele faz parte de um organismo inteiro”, complementa.
COLUNISTAS
Faustino Júnior | Nerd de Negócio
Da inconstitucionalidade da violação do sigilo da fonte