Dor nas pernas, sensação constante de peso, roxos que surgem com facilidade e desconforto até ao toque. Sintomas assim costumam ser tratados como algo corriqueiro, mas podem indicar um quadro de lipedema, doença crônica que ainda passa despercebida por muitas mulheres. Segundo o médico
Danilo Madanês, o problema exige atenção justamente porque costuma ser confundido com retenção de líquido, ganho de peso ou falta de condicionamento físico.
Com atuação em Nutrologia, medicina esportiva, endocrinologia e hormonologia há mais de sete anos, Madanês afirma que alguns sinais clínicos ajudam a diferenciar o lipedema de outras alterações corporais. Entre os principais, estão pernas doloridas, sensibilidade aumentada, hematomas frequentes, ondulações na pele e a dificuldade de resposta mesmo com dieta e atividade física. Para ele, esse conjunto de sintomas merece investigação precoce, especialmente quando o incômodo se mantém por longos períodos.
A dor é um dos pontos centrais no diagnóstico. De acordo com o médico, muitas pacientes relatam desconforto intenso mesmo sem pressão, e a sensibilidade fica ainda mais evidente durante a avaliação física. Um dos recursos usados no consultório é uma manobra simples de deslizamento das mãos sobre as pernas, que ajuda a perceber a reação dolorosa da paciente. O sinal, embora pareça discreto, pode ser bastante revelador.
O tratamento, segundo Madanês, não pode ser resumido a uma única medida. A abordagem inclui alimentação anti-inflamatória, prática regular de atividade física, drenagem linfática, terapias compressivas, investigação de doenças associadas e, em alguns casos, medicação ou cirurgia. A lógica, diz ele, é clara: tentar resolver o quadro de forma isolada costuma falhar, porque o lipedema envolve inflamação, hormônios e circulação.
Outro ponto que chama atenção é o momento em que os sintomas aparecem. Fases de mudança hormonal, como a puberdade, podem marcar o início do problema. Por isso, identificar cedo alterações corporais persistentes faz diferença no prognóstico. Quanto antes o quadro é reconhecido, maiores as chances de evitar dor crônica, piora funcional e sequelas ao longo dos anos.
Madanês também faz um alerta para um erro recorrente. Muitas mulheres passam anos tentando dietas restritivas e treinos exaustivos, acreditando que o corpo não responde por falta de disciplina. Para ele, essa leitura só aumenta a culpa e atrasa o cuidado certo. Em vez de apostar em medidas radicais, o caminho mais indicado é buscar avaliação médica, evitar perda excessiva de massa muscular e adotar uma estratégia contínua, individualizada e multidisciplinar.