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Charles Hermann compartilha dicas e fala sobre pressão no mundo da moda

De modelo a empresário de alta costura, ele reflete sobre os bastidores do setor, compartilha estratégias de autocuidado e propõe uma cultura mais humana dentro da Victoria Alta Costura

De modelo a empresário de alta costura, ele reflete sobre os bastidores do setor, compartilha estratégias de autocuidado e propõe uma cultura mais humana dentro da Victoria Alta Costura - Reprodução Instagram
De modelo a empresário de alta costura, ele reflete sobre os bastidores do setor, compartilha estratégias de autocuidado e propõe uma cultura mais humana dentro da Victoria Alta Costura - Reprodução Instagram
Mundo Pop

por Mundo Pop

Publicado em 06/08/2025, às 01h55

De modelo adolescente a empresário consolidado no universo da alta costura, Charles construiu uma trajetória marcada por disciplina, intensidade e um olhar atento ao futuro. Hoje, como sócio da Victoria Alta Costura, ele reflete sobre os desafios da profissão, o impacto da pressão no setor e a importância de cuidar da saúde mental — tema que passou a ser prioridade em sua vida desde um susto em 2022.
“Comecei minha carreira aos 15, quase 16 anos, muito novo, mas sempre fui responsável. Como empresário, não sou diferente: continuo intenso, como era no tempo de modelo. Hoje, carrego o peso de ser responsável por pessoas e sonhos, e isso é enorme. Precisei encontrar ‘escapamentos’ para manter minha saúde mental em dia: música, alimentação equilibrada e treino. Desde 2022, quando tive um susto, aprendi a pegar leve comigo mesmo e a diminuir a ansiedade sobre o outro”, diz.

Pressão nos bastidores

Quando questionado se o ambiente da moda ainda carrega a pressão quase caricata retratada no filme O Diabo Veste Prada, Charles é direto: “Todos nós sofremos pressão psicológica de alguma forma. Algumas são sutis, outras bem visíveis. Não fui isento disso, mas escolhi não dar importância à pressão alheia. Já tinha a minha própria, e isso já era o bastante. Nunca deixei que influencias externas mudassem minha capacidade de ser quem escolhi ser”.

Conselhos para quem está começando

Para ele, o autocuidado e a ambição não precisam ser opostos. “Meu exemplo pode não ter o mesmo efeito para todos, mas pode abrir caminhos. Sempre fui disciplinado com meus objetivos. Quando jovem, tive segurança para lidar e aceitar situações complicadas. Resolvia tudo como se fosse a primeira vez, sem desistir. Vejo que muitos jovens de hoje desistem rápido demais dos sonhos e ambições”, pontua.

O peso de inovar

Na rotina de um criador, a cobrança por novidade pode gerar um tipo particular de desgaste. “O mercado pede atualização constante, e isso é ótimo quando você cria de forma saudável e natural. O problema começa quando você se cobra por não conseguir inovar — aí é um sinal de que sua mente não está saudável para criar. É preciso se reconectar consigo mesmo”, alerta.

Mudança de cultura no setor

Sobre o discurso crescente de bem-estar na moda, Charles é realista: “A moda é muito única e fechada em um grupo coeso. Existem discursos e até hipocrisias que tentam se colocar à frente de algo que já é icônico. A moda já tem seu caminho; segue quem ama estar bem vestido e preparado. O resto são atalhos que podem ou não levar a novas oportunidades. As escolhas são nossas”.

Bem-estar na Victoria Alta Costura

Na sua própria empresa, o cuidado com a equipe é tratado como prioridade. “Hoje, nossa equipe é muito maior do que no início. Antes, éramos mais próximos, mas ainda assim mantemos uma relação unificada. Realizamos uma reunião de desabafo por mês, onde todos podem falar sobre o que os sufocou ao longo do mês. Isso fortalece as relações, constrói amizades no ambiente de trabalho e faz com que tudo flua com mais êxito”, conclui.